Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 49 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 46

 

ENQUANTO DIRIGIA, ESCUTEI MINHA CAIXA postal do celular.

Ouvi Carmine Noccia deixar uma mensagem com a voz bem nervosa, tive notícias de Del Rio e Scotty, em seguida recebi uma atualização de Cruz sobre o assassinato no Beverly Hills Sun. Conversei demoradamente com nosso escritório de Roma e durante esse telefonema Justine retornou minha ligação. Liguei de volta, mas caiu na caixa postal.

– Estou dirigindo – falei. – Tento ligar para você mais tarde.

Pouco depois das oito da noite, cheguei ao acesso da minha casa e estava tirando o cinto de segurança quando uma viatura da polícia apareceu atrás de mim e parou no acostamento da rodovia. As luzes da viatura emitiam fachos coloridos através do portão e no muro de estuque.

As luzes se acenderam na minha cabeça também. Fazia 40 minutos que eu estava dirigindo no piloto automático e tinha ido para casa sem pensar, embora essa não fosse de forma alguma minha intenção.

A porta da viatura bateu atrás de mim. Baixei o vidro e a luz de uma lanterna me cegou, permitindo que eu visse apenas o contorno do agente.

– Habilitação e documentos do veículo, por favor.

Eu não poderia jurar, mas tinha quase certeza de que não havia ultrapassado o limite de velocidade. Peguei a habilitação na carteira e a estendi pela janela aberta, então me estiquei por cima do banco para alcançar o porta-luvas e peguei os documentos do carro. Entreguei-os também.

– Volto já – disse o policial.

Aguardei. Fiquei encarando a fita amarela e o aviso pregado na minha porta. Ouvi os estalos e os chiados do rádio da viatura e lembrei que, duas noites antes, mais ou menos naquele mesmo horário, havia descido do carro naquele mesmo lugar.

Dera boa-noite a Aldo, passara meu cartão pela leitora do portão, entrara em casa e tirara a roupa a caminho do banheiro.

Algumas horas depois disso, estava sendo interrogado por dois aguerridos policiais de Los Angeles, que haviam decidido que eu era culpado pela morte de Colleen antes mesmo de eu abrir a boca.

Esperando o policial voltar, pensei no interrogatório ao qual fora submetido naquela noite. A teoria do inspetor Tandy, ou pelo menos parte dela, parecia plausível.

Será que Colleen tinha ido à minha casa me fazer uma surpresa?

Era a cara dela fazer algo assim. Ela saberia que seria arriscado, mas sua personalidade condizia com aquela tentativa de ver se, depois de tudo que tivéramos, ela conseguiria me fazer mudar de ideia.

Imaginei Colleen aninhada em uma cadeira da sala, à minha espera. Talvez ela tenha ouvido um carro parar em frente ao portão.

Pude vê-la indo até a janela e espiando a escuridão, escutando o portão deslizando com um zumbido. Talvez tenha aberto a porta e chamado: “Jack?”

Teria alguém respondido: “Oi, Colleen”?

Alguém muito parecido comigo?

Será que Tommy a tinha pegado de surpresa, encurralado dentro de casa, obrigado a deitar na minha cama? Talvez Colleen tenha tentado pegar minha pistola – ela sabia onde eu a guardava. Mas não foi rápida o bastante. Nem forte o bastante. A pistola foi arrancada de sua mão. E ela levou três tiros.

Teria sido Tommy mesmo quem fez isso?

Outra série de imagens se desenrolou na minha mente.

Nessa versão da história, alguém estava me seguindo.

Digamos que essa pessoa tenha me seguido quando saí do quarto de hotel de Colleen na semana anterior. Ela me conhecia. Conhecia Colleen. Desejava me prejudicar e havia bolado um plano.

Visualizei Tommy.

Digamos então que ele tenha ficado de olho em Colleen enquanto eu estava na Europa. Em algum momento desses quatro dias ele a raptou, e uma hora antes do horário marcado para minha chegada no Aeroporto de Los Angeles deu um jeito de amarrá-la e levá-la até minha casa. Usou a sua chave do portão e pressionou o dedo dela na fechadura biométrica…

Minhas divagações foram interrompidas pela porta de um carro batendo. Ouvi o policial andando de volta até o meu Lamborghini.

O facho da lanterna foi apontado outra vez para o meu rosto quando ele devolveu minha carteira de habilitação.

– Sr. Morgan, sabe por que eu o mandei parar?

– Não. Eu moro aqui. O senhor sabe disso, não sabe? Essa casa é minha.

– Essa casa é a cena de um crime. O que o senhor está fazendo aqui?

– Preciso de uma muda de roupa.

– Não vai ser possível, Sr. Morgan.

– Certo – falei.

Dei a partida no carro. O motor rugiu.

Mas o policial não quis me liberar. Não ainda. Ficou examinando meu rosto por trás da luz da lanterna.

Eu sabia por que ele havia me parado.

A polícia estava vigiando a minha casa para o caso de o assassino voltar à cena do crime.

E aquele policial me olhava como se eu tivesse acabado de fazer justamente isso.