Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 92
O ELEVADOR LEVOU JUSTINE E NORA do estacionamento até o saguão da Creative Talent Management, um amplo espaço de mármore com paredes cobertas por imponentes obras de arte moderna. Escadarias envidraçadas enganavam o olhar e convidavam os mais céticos a baixar a guarda. As escadas erguiam-se até o teto de vidro da área de recepção, 10 metros acima.
O espaço era projetado para impressionar e intimidar – e conseguiu fazer as duas coisas com Justine. Ela zombava da CTM como um buraco negro de ganância, mas agora podia sentir a força do lugar. A potência do dinheiro.
Ela e Nora estavam sozinhas.
Justine deu seus nomes a uma recepcionista, assinou um registro, e ela e Nora se acomodaram em um dos cantos do recinto para assistir ao espetáculo.
Atores ensaiavam suas falas, gesticulando nos cantos; entregadores iam e vinham; grupos de pessoas bem-vestidas entravam por portas que se mesclavam tão bem ao entorno que pareciam não existir.
Tom Cruise estava em um desses grupos.
Ethan Hawke saiu do prédio.
Quinze minutos depois de elas chegarem, um rapaz desceu flutuando uma das escadarias invisíveis. Usava uma camisa de linho branco, calça escura e tinha um ar de superioridade. Ao se aproximar de Justine e Nora, disse:
– Meu nome é Jay Davis, sou assistente do Sr. Barstow. Alan está pronto para recebê-las agora.
Justine empunhou sua maleta com a sensação de estar segurando uma bomba de fabricação caseira e pensou: Duvido que Alan esteja pronto para isto.
Quando entraram na sala, Barstow estava em pé de costas para a porta, gritando no headset.
– Já disse que não, seu imbecil! Lily Padgett não vai fazer um teste. Nós temos um acordo e, se ousar rompê-lo, vamos processá-lo. Vamos tomar tudo o que você tem, inclusive o suor do seu saco. Isso. Um seriado em rede nacional. Jerry Bruckheimer. Ela recusou. Está me entendendo agora?
Barstow desligou o telefone, virou-se e viu as duas mulheres entrarem em sua sala espaçosa e transparente. Seu sorriso era radiante e frio, como o sol de inverno em um lago gelado.
– Como vai Danny? – perguntou ele, apertando a mão de Justine. – Espero que estejam trazendo boas notícias.
Justine apresentou Nora como sua colega e os três se acomodaram em volta da mesa de centro, de onde podiam admirar uma peça de Frank Stella do tamanho da porta de um galpão. Pela janela se descortinava a vista panorâmica de West Hollywood e Beverly Hills.
Mas era em Alan Barstow que Justine prestava atenção.
O agente exibia cicatrizes de acne, cabelos ralos e ombros estreitos, mas tinha atitude de sobra. Certamente porque era um dos maiores agentes da CTM e ganhava milhões de dólares todos os anos.
Justine se inclinou para a frente na poltrona de 5 mil dólares, colocou sobre a mesa de cerejeira brasileira o copo de cristal Waterford no qual havia bebido água e disse:
– Alan, acho que sabemos quem é o responsável pela morte de Piper Winnick, mas precisamos da sua ajuda.
Barstow apertou um botão no braço da cadeira e disse:
– Jay, retenha as ligações. – Então se virou para Justine. – Sou todo ouvidos.
– Nós achamos que Piper foi morta por alguém que tinha ciúme do relacionamento dela com Danny – disse Justine.
– Sério? Que bizarro.
– Algumas pessoas sabiam sobre Danny e Piper. Você, Merv Koulos, Larry Schuster, o amigo de Danny chamado Kovaks e seu assistente, Randy Boone. Mas o relacionamento de Danny com Piper não era de conhecimento público. Nem o chalé de Topanga.
– Então é óbvio que alguém próximo de Danny cometeu o crime.
– Sim. Achamos que esse homem imaginava que Piper ficaria grata por ele ter conseguido o papel no filme para ela e que ficaria atraída por ele ser um cara poderoso. Então ele ficou uma fera quando ela fugiu com Danny. Portanto, faz sentido esse homem ter ido até o chalé, acordado Piper e a convencido a dar um passeio com ele pela trilha. Supomos que ele tenha discutido com ela. E que eles tenham partido para uma briga física.
– Justine – interrompeu Barstow –, está tentando me convencer dessa sua história ou veio pedir minha ajuda? Quem fez isso com o meu garoto?
– Alguém que gosta de meninas novas, Alan. Um homem que tem verdadeira paixão por meninas novas.
Justine sacou a pasta da maleta, abriu-a sobre a mesa, virou-a na direção de Barstow e começou a folhear as páginas.
– É isto que vamos mostrar para a polícia – disse ela. – E tenho a sensação de que essas fotos vão acabar caindo na internet. Milhões de pessoas vão saber que Alan Barstow é um criminoso sexual. Você mesmo, Alan. Você é o cara.