Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 56 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 53

 

 

UM ABISMO SE ABRIU ENTRE meus pensamentos e minhas sensações. Tudo que era externo a mim – pessoas passando nos corredores, o celular tocando no meu bolso, risos ecoando pelo vão da escada – parecia muito, muito distante, sem qualquer relação comigo.

Atravessei o andar, abri a porta da sala de reuniões e vi um círculo de 25 homens e mulheres sentados ao redor da mesa, todos sócios da Private no mundo, reunidos ali para nossa reunião de operações bianual.

Eu conhecia todas aquelas pessoas. Tinha ido ao casamento de algumas delas, ficara hospedado na casa de outras.

Elas esperavam que eu expusesse planos. Que tomasse decisões. Esperavam que eu conduzisse.

Mas aquele era o último lugar em que eu queria estar. Praticamente todos os presentes haviam servido nas forças armadas, trabalhado na área de direito ou na segurança pública. Eu sabia que, quando o choque inicial passasse, não conseguiria esconder meu pânico crescente por estar ali em meio àqueles detetives particulares de primeira categoria.

Cody sentou-se em uma cadeira atrás da minha e Mo-bot, que fala várias línguas fluentemente, sentou-se ao lado de Cody.

Todas as conversas cessaram quando puxei minha cadeira e me sentei. Houve alguns cumprimentos, sorrisos, e 25 pares de olhos se cravaram no meu rosto.

A pergunta silenciosa daquelas 25 cabeças flutuou no ar.

Foi você quem matou Colleen Molloy?

Você é um assassino?

Àquela altura, eu já havia imaginado o que acontecera com Colleen tantas vezes que a sensação era que de fato estivera junto à cama quando as balas da minha pistola atingiram seu peito.

A ligação de Fescoe dez minutos antes havia transformado minhas imagens mentais em algo imediato e real. A polícia havia encontrado minha pistola. Naquele exato momento faziam testes de balística. E eu sabia, tinha certeza de que em algum momento no futuro próximo seria acusado de homicídio doloso.

– Bom dia – falei.

Olhei para a agenda impressa à minha frente e batuquei na mesa com a caneta.

Atualizei meus colegas sobre a investigação da morte de Colleen e disse:

– Quem matou Colleen é profissional. Está tentando me incriminar… e está se saindo muito bem. Fez a pesquisa necessária. Sabia que Colleen estava em Los Angeles, conhecia os movimentos dela e os meus. Essa pessoa entrou na minha casa, cometeu o crime e foi embora sem cometer nenhum deslize óbvio. A polícia achou por bem não investigar outro suspeito além de mim. E por que investigaria? A vítima era amiga minha, morreu na minha cama, baleada com a minha pistola.

Fiz uma pausa e continuei:

– Foi uma bela armação. Não sei quem matou Colleen, mas tenho alguns palpites e vamos pegar os responsáveis. Por favor, me procurem se tiverem alguma sugestão ou puderem me ajudar de alguma forma. Digam a seus funcionários e clientes que sou inocente e podem confiar quando digo isso, todos vocês me conhecem e sabem que estou falando a verdade.

– Jack, com licença. Que palpites são esses que você tem? – quis saber Pierre Bonet, nosso diretor na França.

– Prefiro não falar sobre eles antes de ter algo sólido.

Perguntei se havia alguma outra pergunta e em seguida baixei os olhos para a agenda.

– Ian, você primeiro. Queria me falar sobre expandir o escritório de Londres para Glasgow?

Mudei minha expressão para o modo “escuta”, embora na verdade não estivesse conseguindo entender nada do que Ian dizia. Ele estava lendo informações de um gráfico projetado em um tela quando a porta se abriu e Tandy entrou seguido de perto por Ziegler.

Senti um terror súbito e puro, como se dois matadores tivessem acabado de entrar disparando armas automáticas. Fescoe não tinha me dado tempo de ligar para meu advogado, nem sequer de tirar os outros da sala.

– Desculpe-me, Ian. Mitch, vamos lá para fora – falei para Tandy.

– Não vai ser necessário – disse Tandy. – Queira se levantar, Sr. Morgan. Vire-se e fique de frente para a parede.

Não havia escapatória. Eu não tinha para onde correr. Disse a Cody para chamar Caine e Justine e obedeci às ordens de Tandy.

Senti as algemas se fecharam em volta dos meus pulsos. Tandy enfiou um mandado de prisão no bolso da frente da minha camisa e recitou meus direitos. Sua voz era o único som no silêncio sepulcral da sala de reuniões.

Tandy quis garantir que me humilharia o máximo possível.

Tive tempo de dizer a meus colegas:

– Falo com vocês todos muito em breve.

Ziegler então me deu um leve empurrão e fui escoltado para fora da sala sob custódia de dois policiais da Divisão de Homicídios do Departamento de Polícia de Los Angeles.