Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 89 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 86

 

EU NÃO QUERIA JANTAR COM ninguém.

Queria seguir meu irmão quando ele saísse do escritório e ver aonde ele ia, com quem e o que iria fazer.

Mas Jinx era uma cliente, uma pessoa legal. E estava bem no alto da curta lista de possíveis companhias para um jantar.

– Tudo bem se jantarmos cedo? – perguntei.

Ela concordou e imaginei que, se nos encontrássemos às seis, eu poderia vigiar a casa de Tommy a partir das oito.

Fui de carro até o Red O, inaugurado em 2010 pelo premiado chef Rick Bayless. Era um restaurante visualmente impressionante, a começar pelas imensas portas de madeira que conduziam da Melrose Avenue até um pátio com teto de vidro.

O design do interior remetia a South Beach e a um balneário mexicano escaldante. Bem na entrada havia uma mesa enorme, lustres forjados à mão no teto, um túnel de vidro curvo com prateleiras cheias de garrafas de tequila e imensos vasos de palmeiras.

Tinha lido que a nouvelle cuisine mexicana servida ali era incrível, mesmo para uma cidade com reputação de ótima culinária mexicana. Às seis, já podia sentir o aroma de chocolate e especiarias do mole e percebi que estava louco por uma refeição boa de verdade.

Jinx me esperava em um dos pequenos espaços abrigados em nichos que saíam do salão principal. Os pufes, os sofás e as fundas poltronas eram todos estofados de couro preto. Por mais que eu gostasse da decoração, porém, a verdadeira atração era Jinx.

Nós nos cumprimentamos com beijos no rosto, pedimos as bebidas e, assim que o garçom trouxe os drinques de tequila, ela disse:

– Jack, me conte alguma coisa boa. Tenho passado as noites contando carneirinhos e ontem cheguei a centenas de milhares.

Sorri.

– Estou falando sério – disse ela. – Duzentos mil.

Tornei a sorrir, e ambos rimos.

Fazia quase uma semana que eu havia aceitado Jinx Poole como cliente e Cruz e Del Rio vinham dedicando muito tempo ao caso dela.

– Acho que estamos chegando a algum lugar – falei para Jinx.

O garçom anotou nosso pedido. Quando ele se afastou, contei a Jinx sobre a noite de Cruz na boate Havana e disse como ele e Del Rio haviam confrontado um chofer de limusine debaixo do viaduto perto do aeroporto mais cedo nesse mesmo dia.

– Temos uma boa ideia de como encontrar esse tal Tyson Keyes. Se ele sabe quem matou os clientes, vamos descobrir.

– Por que Karen Ricci e Carmelita Gomez estavam escondendo o nome dele?

– Ricci estava com medo do cara – falei. – Parece que Keyes é violento. Não entendo por que as mulheres se casam com homens assim. E não entendo por que continuam com eles.

– Meu marido era violento – disse-me Jinx. – É complicado. É sobre isso que eu venho querendo conversar com você.

– Pode falar – encorajei-a.

Jinx tomou um golinho de sua bebida. Ela acabara de dizer que queria me contar, mas eu podia ver por sua expressão que não era uma história fácil. Fiquei sentado ao seu lado e aguardei.

– Eu o matei – disse ela. – Quero que você saiba que eu matei meu marido.