Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 84
ERA UMA E QUINZE DA tarde quando Del Rio e Cruz pararam no grande estacionamento sob a ponte da Rua 96. O estacionamento ficava a uns 2,5 quilômetros do Aeroporto de Los Angeles e era limitado de um lado pelas oito pistas do Sepulveda Boulevard e, do outro, por um dos muitos viadutos da cidade. Havia um fluxo incessante de limusines, táxis e outros veículos de passageiros, que faziam fila sob placas alfabéticas, aguardando para entrar no aeroporto.
Vigiavam um sujeito em especial, Paul Ricci, leão de chácara da boate Havana, casado com a delatora cadeirante. Ricci estava jogando conversa fora com três outros motoristas.
Olhou de relance para o Mercedes da Private, em seguida abriu a porta do seu carro e pegou um sanduíche dentro de um cooler. Perguntou em voz alta para um dos outros motoristas:
– Baxter, você tem mostarda aí?
Baxter riu e respondeu:
– Não, mas tenho bostarda, serve?
Dentro do Mercedes, Cruz disse a Del Rio:
– É aquele ali. Ricci. O de terno vagabundo e quepe de motorista.
Del Rio vestiu a jaqueta e perguntou:
– Dá para ver minha pistola debaixo do casaco?
– Você dá pinta de que está armado até quando está dormindo – respondeu Cruz.
– Que bom – disse Del Rio –, porque eu quero que Ricci fique paralisado de medo. Não quero ter que correr atrás dele. Meio que torci o pé escalando aquele penhasco.
– Ah… – zombou Cruz. – Encare os fatos, Rick: você está ficando velho.
– Velho coisa nenhuma. Ainda tiro o couro de qualquer um do meu tamanho.
– Você não precisa fazer isso, Rick. Eu o protejo – disse Cruz.
Del Rio lançou ao colega um olhar mau.
Cruz riu e apertou o elástico em volta de seu rabo de cavalo. Depois que ficou satisfeito com o cabelo, perguntou:
– Preparado, companheiro?
Andaram juntos até onde os quatro homens aguardavam debaixo da placa com a letra D.
Além de Paul Ricci, havia mais um motorista. Os outros dois usavam uniformes que os apresentavam como “The Air Shuttle Guys”, “os caras da ponte aérea”. Eles eram gordos, então não seriam problema. Mas o chofer em pé ao lado de Ricci era musculoso e jovem. Tinha cara de ex-presidiário.
– Paul Ricci? – indagou Cruz.
Todas as conversas cessaram.
Ricci se empertigou.
– Sou eu. O que foi?
– Não se lembra de mim? – perguntou Cruz.
Abriu o casaco e mostrou a pistola a Ricci, a mesma que tivera de entregar antes de entrar na boate.
Ricci olhou para a arma, deu as costas e correu bem depressa em direção à saída, enquanto o quepe voava da cabeça raspada.
– Nós só queremos conversar! – gritou Cruz.
O cara corria bem depressa.
– Que merda – falou Del Rio.