Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 45 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 42

 

DEPOIS DE SCHUSTER ACALMAR A confusão que se seguiu e de Justine repetir: “Scotty. Observe e escute”, ela foi se sentar com Scotty e Danny Whitman no estúdio do terceiro andar, com sua bela vista para o estacionamento do Harlequin, um dos mais antigos estúdios de cinema de Hollywood.

Ao piano, Danny batucava uma música do Eric Clapton, “Lay Down Sally”.

– Conte-nos o que aconteceu, Danny – pediu Justine.

Danny suspirou, saiu da banqueta do piano e se deixou cair em uma poltrona macia. Justine pensou em como ele parecia mais jovem do que nas telas. E maior também: um rapaz bem-proporcionado, com a famosa covinha em uma das bochechas e fartos cabelos castanhos. Embora tivesse 24 anos, poderia passar por um jogador de futebol americano do ensino médio.

Justine observou o número escrito a esferográfica no espaço entre o polegar e o indicador de sua mão direita. Parecia um número de telefone.

– Sei que vai parecer uma idiotice, mas eu sinceramente não sei o que aconteceu – disse Danny. – Estava todo mundo na casa do Alan Barstow, meu agente. Sabem quem é?

Justine assentiu.

– Já conheci o Sr. Barstow.

– Alan estava dando uma festa – continuou Danny. – Tinha várias meninas. Dezenas. Acordei na minha casa, no meu próprio quarto… sozinho. Quando dei por mim, antes mesmo de o despertador tocar, a polícia bateu à porta. Disseram que uma tal de… Katie Blackwell tinha feito uma denúncia contra mim.

– Você diz o nome dela como se não a conhecesse – comentou Scotty.

– Eu sei quem ela é – disse Danny. – Conheço de vista, mas só isso. Nunca fiquei com ela. Com certeza não sei quantos anos ela tem. Nem saberia dizer se ela estava na casa de Alan ontem à noite, não fosse o fato de os meus amigos a terem visto pendurada em mim.

– E qual é a história de Katie? – perguntou Justine.

– Segundo ela, fomos embora juntos da festa, eu a obriguei a transar comigo no carro e depois a deixei na porta de casa. Vocês deveriam ver o meu carro. É fisicamente impossível transar lá dentro. Mas uma amiga dela está dizendo que nos viu ir embora juntos. Não fosse por isso, seria a palavra dela contra a minha.

– Katie fez exame de corpo de delito?

– Não. No depoimento, ela disse que estava com vergonha, tomou uma ducha e não contou nada aos pais até a manhã seguinte, quando eles ligaram para a polícia. – Mas o fato é o seguinte. Eu estava muito doido nessa noite. Se fui eu, mereço ser punido. Mas realmente não acho que tenha transado com a garota. Tenho quase certeza de que me lembraria.

– Quase certeza? – repetiu Justine.

– Está tudo muito confuso. Só me lembro de rir. De cair no chão. De garotas me apalpando. E nenhum dos meus amigos me viu indo embora com Katie.

– Ela pode ter mentido para não levar bronca – sugeriu Justine. – Se tiver perdido a hora de chegar em casa, essas coisas.

O astro beliscou o lábio inferior e Justine pensou que parecia estar vasculhando a própria memória, não inventando uma história.

Mas Whitman, afinal de contas, era ator.

– Dra. Smith, é melhor eu abrir logo o jogo com a senhora: essa não foi a primeira vez que perdi a memória. Tenho uma vida meio surreal, entende? Eu era só um garoto quando cheguei aqui. Um garoto normal. Mas esta cidade tem uma quantidade exagerada de tudo e o meu tempo não me pertence. Na metade do tempo parece que tem outra pessoa dirigindo a minha vida e eu não tenho o menor controle sobre o que me acontece.

– Tudo que eu quero fazer é ajudar você para as coisas não piorarem – disse Justine. – Para o julgamento passar sem mais repercussões ruins na imprensa. Quer um conselho?

– Quero. Claro. Diga-me o que quer que eu faça.

Ah, droga, pensou Justine. Danny era simpático e agora ela era a responsável por mantê-lo celibatário e livre das drogas para que pudesse estrelar o tal sucesso de bilheteria de 100 milhões de dólares.

Entregou dois cartões a Whitman e disse:

– Aqui estão nossos contatos, meu e de Scotty. É muito simples. Não saia com mulher nenhuma. Assim não haverá fotos nem matérias na imprensa. Não vá para a cama com ninguém. Trabalhe, volte para casa sozinho, deixe o celular ligado e fique em contato conosco.

– Combinado.

– De quem é esse telefone na sua mão? – perguntou Justine.

– Sei lá. É disso que estou falando. Olhe aqui. Pronto, apagado – disse Whitman, cuspindo na própria mão e esfregando-a na calça jeans.

– Está bem – disse Justine. – A partir de agora, finja que você é um monge. E nós vamos descobrir o que pudermos sobre Katie Blackwell.