Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 62 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 59

 

 

AINFLUÊNCIA DE CAINE FORA SUFICIENTE para me passar para o começo da fila. Fui transportado do presídio para o Centro de Justiça Criminal Clara Shortridge Foltz, em West Temple. Levaram-me à cela ao lado da sala de audiência acorrentado a três outros caras. Um deles devia ter 18 anos e estava branco de tanto medo.

O prédio tinha ar-condicionado. Aquilo era um milagre. Agradeci a Deus.

Passei horas sentado enquanto meus companheiros de cela saíam e voltavam da sala. Então fui separado deles.

Caine veio ao meu encontro e me deu um abraço apertado.

– Lembre-se de quem você é – sussurrou ele. – Mostre que está vivo.

Eu estava com um cheiro ruim, igual ao dos homens do presídio que não tomavam banho havia um bom tempo. Estava com as roupas da véspera, exibia no rosto vários cortes e hematomas e tinha a barba por fazer.

– Está bem – respondi. – Acho que consigo fingir que estou vivo.

Segui Caine até a sala de audiência. Era um lugar civilizado, com paredes revestidas de madeira, mas mesmo assim me lembrou das antigas fotografias de Ellis Island, que exibiam os refugiados sendo recebidos após três semanas no porão de um navio sem saber que fim teriam.

O juiz era Sua Excelência Skinner Coffin. Eu nunca o havia encontrado, mas sabia quem era. Tinha 50 e poucos anos e a reputação de ser sensível e cheio de opiniões. Justine certa vez dissera que ele era craque em “interpretação criativa da lei”.

Eu não sabia se isso era bom ou ruim para mim.

O juiz Coffin conversava com o oficial de justiça, e corri os olhos pela galeria. Havia um leve rumor de pessoas sussurrando e se remexendo nas cadeiras. Bebês choravam. Ouvi meu nome. Virei-me e dei de cara com Robbie Pace, o novo prefeito, vindo na minha direção.

Lembro-me de ter pensado como ele parecia limpo com seu terno azul e o rosto a luzir com a barba recém-feita. Ele se inclinou perto de mim e disse no meu ouvido:

– Escrevi para o juiz. Falei bem de você. Acho que vai ficar tudo bem.

– Obrigado, Robbie.

– De nada.

As portas da corte se abriram e Fescoe entrou e começou a subir o corredor entre as cadeiras. Parou para falar com o prefeito e ficou me olhando por cima do ombro dele enquanto conversavam. Pace balançou a cabeça, concordando, e então Fescoe fez um gesto na minha direção e foi para o fundo da galeria.

As portas tornaram a se abrir e Justine entrou, uma imagem estonteante e graciosa, fresca como uma rosa recém-colhida, com um sorriso carregado de dor. Ela veio até mim. Estava prestes a me dar um abraço, mas parou. O contato físico era expressamente proibido.

– Estamos todos com você, Jack. Todo mundo lá na Private. Estamos recorrendo a nossos contatos na rua, checando tudo o que descobrimos e vamos continuar fazendo isso até encontrar alguma pista útil. Você está bem?

– É bom ver você.

– Gostaria de poder dizer a mesma coisa. Sei como é ruim aqui dentro.

Pensei: Você não pode realmente saber… e deveria agradecer a Deus por isso.

– Quer dizer que não encontraram nada? – perguntei.

– Ainda não. Tommy tem um álibi.

– Fiquei sabendo.

– A mulher. Ele estava em casa com ela naquela noite.

Suspirei.

– Ainda estamos cavando – disse Justine.

– Eu estou bem – falei.

– Eu sei.

Por que eu tinha ido para a cama com Colleen?

Por que não havia resistido àquele impulso?

Justine me desejou boa sorte e então o oficial de justiça chamou um número.

– Somos nós – disse Caine. – Vamos lá.