Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 112
CRUZ CONDUZIA O CARRO COM Rick sentado no banco do carona e o Lamborghini de Jack no espelho retrovisor. À sua frente, Carmelita Gomez fazia o ponteiro do velocímetro entrar no vermelho. Cruz pisava bem fundo no acelerador, mantendo-se próximo do Impala, sabendo que, se Carmelita freasse ou batesse em outro carro, não conseguiria parar a tempo.
Aquela mulher com certeza tinha culpa no cartório.
Cruz tentava dar sentido ao que Tyson Keyes dissera a seu respeito e agora via a mulher bonita, mas esnobe, sob um ângulo totalmente diferente.
Lembrou-se dela em pé junto ao guarda-roupa da boate Havana, usando o vestido rosa justo, sem olhar para ele da maneira como as mulheres costumavam olhar. Nem de longe.
Pensou nela depois, sentada ao seu lado no carro, enfim entregando um sujeito que dissera ser seu motorista, Billy Moufan, e afirmando que Moufan conhecia a identidade do assassino.
Só que Billy Moufan não existia. Em lugar nenhum.
Tyson Keyes tinha sido seu amante e seu motorista. Segundo ele, Carmelita era uma mulher que detestava os homens e transava com eles para ganhar a vida. Bem pervertido, não?
Uma buzina soou, demorada, quando a caravana em alta velocidade imprensou uma van da Volks contra o canteiro central.
– Cuidado, Emilio – disse Del Rio.
– Cuidado? Estou indo em linha reta. Está achando rápido demais? Quer que eu encoste para você dirigir? Por mim, tudo bem. Estou quase me mijando, se quer saber.
O Impala fez uma súbita curva à direita e entrou na Neenach Street cantando pneus. Cruz foi atrás, com Jack em seu encalço.
A Neenach era uma rua residencial, bem parecida com aquela em que Gomez morava: duas fileiras de casas de estuque de um andar só, com muretas baixas ou pequenos jardins na frente e algumas árvores na calçada.
Cruz não queria tirar os olhos da rua e checar o velocímetro, mas seu sexto sentido lhe dizia que eles estavam percorrendo a Neenach a quase 150 por hora, voando rumo ao cruzamento com a Haddon Avenue.
Só que Carmelita não virou na Haddon.
Havia uma parede sólida à frente, no ponto em que a Neenach Street, interrompida pela rodovia, terminava em um beco. Carmelita não iria parar. Entrou a toda no trecho sem saída que ia dar em um semicírculo de casas, umas seis, todas de frente para o alto muro de cimento que as separava da autoestrada.
Cruz pisou no freio com força.
Jack e as quatro viaturas de polícia que vinham atrás fizeram o mesmo. Os carros derraparam e os motoristas perderam o controle, invadindo gramados e batendo em outros carros estacionados na rua. Um cheiro de borracha queimada tomou conta do ar. Um barulho estridente de metal sendo compactado ecoou quando os veículos atropelaram latas de lixo e bateram em paredes.
Cruz viu o Impala dar um salto para a frente, parecendo se imobilizar no ar. Era como se pairasse, suspenso, e então se dobrou ao meio ao colidir com o muro. Antes mesmo de seu próprio carro parar, Cruz já estava com a mão na maçaneta da porta, e em seguida estava na rua, correndo.
Rick e Jack também corriam, mas Rick gritou para Jack:
– Pare, Jack! O carro vai explodir!
Mas Jack gritou de volta, mais alto do que todo aquele barulho:
– Eu preciso saber se ela está viva! – E continuou a correr em direção ao metal vermelho amassado que antes era o carro de Carmelita Gomez.