Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 34 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 31

 

ENTREI COM O LAMBORGHINI PELO acesso que conduzia à minha casa e passei a chave eletrônica pela leitora. Os portões de ferro se abriram e vi um aviso na porta. Não estava perto o suficiente para lê-lo, mas sabia o que dizia.

“Entrada proibida por ordem do Departamento de Polícia de Los Angeles.”

Desliguei o motor e fiquei sentado por alguns minutos tentando imaginar meu irmão obrigando Colleen a avançar até a porta sob a mira de uma arma. Vi-o encostando o cano da arma nas costas dela e os dois entrando na casa. E então não consegui imaginar mais nada.

Tommy era tão doente, tão corrupto a ponto de matar Colleen? Sinceramente, eu não sabia responder.

Saí do carro e desci pelo estreito quintal lateral que margeava a cerca até a praia. Eram cinco da tarde e o sol ainda estava forte. Na véspera, mais ou menos naquela mesma hora, alguém preparava Colleen para sua última viagem.

Continuei em direção ao sul, em paralelo à linha do mar, e passei por duas casas imensas e uma menor que haviam resistido à especulação imobiliária e às escavadeiras. A quarta casa tinha um projeto híbrido, metade vitoriano e metade contemporâneo, alta e com um amplo deque.

Era lá que Bobbie Newton morava.

Bobbie era colunista de fofocas, rainha do noticiário sobre celebridades no horário nobre da TV e ex-mulher de um investidor de Wall Street. Estava sentada no deque segurando um drinque em um copo longo, com os pés apoiados no guarda-corpo. Usava uma camisa aberta por cima do biquíni rosa-choque, uma viseira branca no meio dos cachos louros, óculos escuros e um fone de ouvido sem fio na orelha esquerda.

Estava falando ao telefone e admirando as ondas.

Quando a chamei, ela tirou os pés do guarda-corpo e sentou-se ereta.

– Bobbie… posso subir? Preciso falar com você.

– Vou descer – disse ela. – Ligo para você mais tarde – falou para a pessoa com quem estava conversando. – Tenho que ir.

Bobbie deixou seu drinque no deque e desceu a curta escada de madeira segurando com firmeza o corrimão.

Pensei em minha história com Bobbie. Acontecera depois da primeira ruptura com Justine, muito antes de Colleen. Achava que tinha terminado bem – incompatibilidade, nenhum culpado. No entanto, quando encontrei o envelope na porta dos fundos da minha casa, sem recado e com minha chave dentro, a mensagem foi bem clara: “Vá se foder.”

Bobbie tinha o pavio curto e isso era uma característica que me desagradava. E tenho certeza de que havia algumas coisas em mim de que ela não gostava. Desde o término, porém, tínhamos um relacionamento cordial de vizinhos.

Agora, enquanto ela descia a praia na minha direção, aves marinhas levantaram voo da areia. E eu vi pela expressão de seu rosto que não éramos amigos.

Ela pôs as mãos nos quadris e disse:

– Se está querendo saber se contei à polícia que vi você ontem à noite, a resposta é sim, Jack. Caramba, eu disse sim.