Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 21 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 18

 

MITCH TANDY E LEN ZIEGLER entraram na minha sala e olharam em volta como se tivessem acabado de comprar o lugar em um leilão às cegas e o vissem pela primeira vez.

Indiquei-lhes a área de estar e Tandy se sentou. Ziegler deu uma olhada em volta – na vista das janelas, nas estantes, nas fotos penduradas na parede.

– Por que você mexeu na cena do crime, Jack? – perguntou-me Tandy. – Está tudo meio arrumadinho demais, se é que você me entende. A garota morre bem no meio da cama, ainda de sapato. Não deixa digital nenhuma, nem mesmo no banheiro. Pela minha experiência, uma garota sempre usa o banheiro.

Aqueles policiais não tinham ido me procurar com alguma novidade. Estavam ali para ler minhas reações, me assustar, me surpreender mentindo ou me contradizendo em relação ao que havia falado na noite passada.

– Ela já estava morta quando eu cheguei – falei. – Vocês estão vendo a mesma coisa que eu vi.

– Jack, eu sou um cara justo.

Não, Tandy não era um cara justo, pensei. Ele era um ser humano vil. A inveja que ele sentia dos outros e a falta de autoestima, da qual nem tinha consciência, o faziam ser assim. Aquele homem era um perigo.

– Me diga o que realmente aconteceu, assim vai conseguir deixar essa história para trás – disse ele.

– Mitch, eu já contei tudo o que sei.

– Tudo bem.

Ele se inclinou por cima da mesa de centro, endireitou uma pilha de livros e continuou:

– Agora quero lhe apresentar minha teoria sobre como essa moça morreu. Colleen Molloy estava apaixonada pelo chefe. Quanto a isso não resta dúvida. Não há nada de incomum nisso. Acontece o tempo todo. Mas essa moça em especial, essa Colleen, tentou se matar depois que o namoro de vocês terminou. Isso é fato. A tentativa de suicídio me informa que ela era uma pessoa emotiva. Instável.

– Ela cortou os pulsos uns seis meses atrás – disse Ziegler do outro lado do aposento. Ele segurava um canivete de uns 15 centímetros de comprimento e cabo de madrepérola. Lançou-o para cima e tornou a pegá-lo e continuou fazendo isso enquanto falava. – Colleen sobreviveu. Largou o emprego, mudou-se de volta para a Irlanda, mas retornou a Los Angeles duas semanas atrás para visitar amigos.

– Isso mesmo – prosseguiu Tandy. – Agora estamos atualizados. Então, na quarta-feira passada, Colleen almoçou com você no Smitty’s, mas seja lá o que tenha acontecido não a deixou inteiramente satisfeita. Ela conhece os seus horários, sabe a que horas você vai chegar em casa, etc., e ontem à noite pegou um táxi e apareceu sem ser convidada.

Seu tom de voz era neutro. Nenhuma intimidação. Nenhuma ameaça. Mas Tandy estava expondo sua teoria de que eu era o culpado e a baseava em fatos consistentes.

– Você tem uma imaginação fértil, Mitch – observei. – Mas Colleen estava namorando um cara em Dublin. Ela não estava me perseguindo.

– Não falei que ela estava. Ela queria conversar. Sabia a que horas você chegaria em casa. Usou a chave de acesso e ficou esperando. Você entrou. Ela disse: “Surpresa, Jack, eu ainda te amo. Vou te amar para sempre.”

– Tandy, você está me deixando enjoado, sabia? Nada disso aconteceu. Colleen e eu éramos amigos. Só isso.

– Você estava cansado quando ela apareceu. Foi o que nos disse. Voo longo, várias escalas. Não estava com disposição para aturar uma ex-namorada carente, mas talvez tenha tentado ser cavalheiro.

Ziegler agora estava de pé, com o canivete novamente guardado no bolso, caminhando em direção à minha mesa. Levantei-me, fui até lá, fechei o computador e falei para Tandy por cima do ombro:

– Nada do que você disse é verdade.

– É só uma conversa – retrucou ele, amigável. – Só isso. Quando eu terminar de lhe expor a minha teoria, você pode me expor a sua.