Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 11
MEU ASSISTENTE, CODY DAWES, ME parou quando passei perto de sua mesa.
– Bom dia, Jack. Precisamos conversar sobre uns assuntos…
– Só os urgentes, Cody. Ainda estou meio fora do ar.
– Ahn, tudo bem então. Estou pedindo demissão.
– Hein? O que houve? Pensei que estivesse feliz aqui.
– Arrumei um papel com falas em um filme do Ridley Scott. Tenho diálogos.
Ele abriu um sorriso largo, uniu as mãos, talvez até tenha dado um pulinho. Estendi a mão, apertei a dele e disse:
– Que legal, Cody. Parabéns.
– Não vou deixar você na mão. Já chamei umas pessoas para você entrevistar. Eu mesmo fiz a pré-seleção.
Dei um suspiro.
– Está certo. O que mais?
Eram oito e meia da manhã em Los Angeles, ou seja, cinco e meia da tarde em Estocolmo. Meu relógio biológico ainda estava no fuso horário da Europa central.
– O Sr. Noccia já está aí. Tive que mandá-lo esperar na sua sala.
– Pensei que eu fosse ter um tempinho antes de ele chegar.
– Ele estava esperando encostado no meio-fio, Jack. Dentro de um Mercedes com três outros caras que você não iria desejar como cunhados. Abri a porta da frente. Ele disse que queria entrar, então o mandei subir. Segui meu instinto.
– Você ainda faz café?
– Faço, sim – respondeu ele com um sorriso.
Entrei na minha sala. Ela tem duas partes: meu espaço de trabalho em um dos cantos e uma área de estar e reunião no outro. Carmine Noccia estava sentado em uma cadeira ao lado da minha mesa.
– Carmine – falei. Apertei a mão dele, dei a volta na mesa e me sentei.
Todas as linhas telefônicas piscavam. Uma pilha de papel com quase 10 centímetros de altura se erguia à minha direita. Os compromissos à minha espera estavam expostos no monitor do computador.
– Que cara boa essa sua, Jack. Parece que dormiu dentro de um armário no vestiário da academia.
– É exatamente assim que me sinto com o jet lag – respondi.
Noccia sorriu. Era boa pinta, quarentão, com dentes perfeitos e cabelos grisalhos, e usava um terno feito sob medida e sapatos italianos costurados à mão. O retrato de um rock star da Máfia moderna. Ao olhar para ele, o que se via não era o filho de um chefão, um capo da Máfia ou um assassino, mas um executivo saído da Ivy League.
Cody trouxe uma grande garrafa térmica prateada cheia de café e um prato de biscoitos. Quando ele saiu, falei:
– Del Rio me disse que você precisava falar comigo com urgência.
Tentei não deixar transparecer na minha voz, mas o que estava perguntando na verdade era: que porra você quer comigo?