Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 69
EU ESTAVA ESPERANDO JINX NO bar do deque da piscina tomando uma Perrier com gelo em um copo longo e alto. Estava admirando o sol pintar a piscina com uma luz rosada quando ela se sentou na cadeira ao meu lado.
– Oi, Jack. Desculpe-me pelo atraso. Fiquei presa no escritório.
– Não faz mal. Eu gosto daqui.
Jinx sorriu.
– Ouvi dizer que seus últimos dias foram difíceis.
Ela exalava um cheiro bom, parecido com jasmim. Estava vestida de azul-escuro, túnica de seda, calça justa, sandálias douradas nos pés bem-feitos. Seu colar de diamantes refletia a luminosidade do ambiente.
– A prisão é uma experiência enriquecedora – falei. – Pude ver o outro lado da cerca. E acredite: a grama não era mais verde.
– Você parece ter levado uma surra.
– Faz parte do programa de aprimoramento.
Minha intenção era conseguir uma risada, mas ela esticou a mão e tocou meu maxilar ferido. Deixei que ela o fizesse.
– Eu tropecei – eu disse.
– Tropeçou feio, ao que parece.
Dei-lhe um sorriso. Jinx apoiou os cotovelos no bar e pediu um gim-tônica ao barman. Foi um gesto natural e nele pude ver como ela realmente estava se sentindo. Estava ali inteira, a mulher que havia pedido minha ajuda porque estava sendo assombrada por assassinatos – e porque corria o risco de perder tudo o que tinha.
– Estamos trabalhando no seu caso, Jinx, mas se quiser mudar de agência eu entendo – falei. – Não vou cobrar pelo tempo que já trabalhamos.
– A polícia não está conseguindo descobrir nada – disse ela.
– A polícia também não está conseguindo descobrir nada, você quer dizer.
– Nesta mesma época do ano passado, só havia lugar neste bar para quem topasse ficar em pé.
– Vamos continuar trabalhando se você concordar. Se não conseguirmos nenhum resultado, você não nos deve nada.
– Você está sendo bem convincente. – Ela finalmente sorriu. – Preciso reconhecer uma coisa – falou. – Eu gosto de você, Jack.
Fiquei constrangido por alguns instantes, não soube como reagir. Seja lá o que passava pela cabeça dela, uma amizade ou algo mais, aquele não era um bom momento. Era o pior momento possível.
– Jinx, escute. Eu vou embora do hotel amanhã de manhã.
Ao ouvir o que lhe pareceu uma recusa, ela se retesou.
– Correu tudo bem? – indagou.
– Sim. Só preciso voltar para minha casa. Para minha vida.
– Claro.
– Iggy, as bebidas do Sr. Morgan são por conta da casa – disse ela, se levantando. – Jack, preciso dar uns telefonemas. Dê notícias, sim? E cuide-se.
Fiquei olhando Jinx cruzar o deque e, depois de ela entrar, deixei o bar e fui para o quarto.
Eu podia listar umas quatro ou cinco razões pelas quais não precisava de uma complicação romântica naquele momento. Mas não havia como argumentar com a forte atração que sentia por Jinx. Eu queria ajudá-la tanto quanto queria ajudar a mim mesmo.
Se ela tivesse passado mais um minuto no bar, eu teria dito que gostava dela também.