Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 38 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 35

 

POUCO DEPOIS DAS DEZ, CHEGUEI de carro ao Beverly Hills Sun, a estrela principal da cadeia de Jinx Poole. Desci do meu carro de 200 mil dólares com cara de quem tinha sido arrastado atrás dele por um ou dois quilômetros. Entreguei a chave ao manobrista e fiz o check-in na recepção.

– Sr. Morgan, acho que a senhora ali no sofá vermelho está à sua espera – disse o funcionário.

Era Justine.

Graças a Deus.

Senti-me tão aliviado ao vê-la que meus olhos ficaram marejados. A simples ideia de me deitar sobre lençóis limpos com Justine ao meu lado, de sentir sua pele encostar na minha, me enchia de alívio.

Mas o que ela estaria fazendo ali? Chamei-a. Ela ergueu os olhos e cruzei o lobby luxuoso e cintilante até onde ela estava.

– Há quanto tempo está esperando? Está tudo bem?

Não consegui ler sua expressão.

– Justine, o que está acontecendo?

– É que… precisamos conversar. Sem rodeios. Nada além da verdade.

– Vamos para o meu quarto – falei. Virei a cabeça, apontei para o maxilar machucado e completei: – Preciso deitar.

– Você está fedendo a cerveja. Estava numa briga de bar?

– Como você é observadora.

– Sente aqui. Por favor. Não vai demorar.

O que quer que estivesse por vir, aquilo não me soava nada bem. Sentei-me no sofá ao lado de Justine.

– Meu cérebro está praticamente uma geleia. É melhor conversarmos amanhã.

– O seu cérebro vai ser muito pouco solicitado.

Encarei-a e ela me fisgou com o olhar. Eu amava Justine. De verdade.

– Quando você esteve com Colleen na semana passada, antes de viajar para a Europa… o que aconteceu?

– Nós almoçamos no Smitty’s. Devo ter o recibo em algum lugar. Não tive tempo de conferir o extrato do cartão de crédito.

– Vocês transaram?

– Caramba. Você não deveria fazer isso. Alguma vez a interroguei desse jeito, por acaso? Não pode confiar em mim e pronto?

– Você disse “confiar”? Imagino que isso signifique que não foi só um almoço. Ah, Jack.

Ela balançou a cabeça.

Joguei as mãos para o alto.

– Se você não acredita em mim, de que adianta tudo isso? – perguntei. – Como vamos conseguir resolver as coisas se você não confia em mim?

Justine se levantou, colocou a alça da bolsa no ombro e, sem olhar para trás, saiu do hotel pela porta giratória. Observei-a se afastar através do vidro. Ela entregou o tíquete ao manobrista e ficou parada de frente para a rua enquanto esperava seu carro.

Justine era capaz de me ler como um detector de mentiras do FBI. Era inútil mentir. Eu poderia sair correndo atrás dela, mas o que mais iria dizer?

O manobrista trouxe o carro, Justine se sentou ao volante, pôs o cinto e saiu em alta velocidade pelo South Santa Monica Boulevard.

Dessa vez tive certeza de que a havia perdido. Não era o que eu queria, mas era exatamente o que merecia.