Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 101 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

Parte Quatro – Beco sem saída

PARTE QUATRO

 

BECO SEM SAÍDA

capítulo 98

 

ERAM OITO DA NOITE.

Eu estava na Private, despedindo-me de meu amigo e advogado Eric Caine. Ele não fora explícito, mas me fizera entender que, sem novos indícios, minha defesa no caso Califórnia versus Jack Morgan não seria nada fácil.

Quando fechei a porta, um temporal desabou do nada. A chuva fustigou as janelas que iam do chão ao teto, criando um halo em volta dos faróis dos carros que passavam pela Figueroa.

Caine correu até seu carro e comecei a subir a escada em caracol até minha sala, onde planejava passar mais quatro ou cinco horas trabalhando no meu próprio caso.

Quando estava no patamar entre o terceiro e o quarto andares, vi Justine descendo. Ela ainda usava o vestido preto que pusera para a homenagem a Piper Winnick e, como sempre, vê-la acelerou meu coração.

– Oi – falei.

Justine respondeu com outro “oi” e seguiu descendo a escada. Parei e disse:

– Justine, você já jantou? Vamos sair para comemorar a prisão de Koulos…

– Obrigada, Jack, mas não. Estou exausta e louca para chegar em casa.

– Tem certeza de que um linguini marinara e um bom vinho não seriam melhores do que ficar em casa sozinha? Preciso conversar com você.

– Hoje não, Jack. Peça a Cody para me encaixar na sua agenda de amanhã.

Ela passou por mim na escada e não gostei daquilo. Ela não estava cansada. Não queria era estar comigo. Como se eu fosse um sujeito atrás dela na fila da Starbucks, cafungando em seu cangote enquanto falava aos berros no celular.

– Então me dê uns dois minutinhos agora – pedi. – Você vai aceitar a tal proposta? Preciso saber.

Justine suspirou e ajeitou a alça da bolsa no ombro.

– Eles cobrem o meu salário e dão mais quinze por cento.

– Então você já decidiu?

– Eu gosto da Private. Gosto do meu trabalho.

– Fique, Justine. Eu cubro a oferta deles e ainda aumento a proposta.

– Obrigada. Me deixe pensar até amanhã.

– Justine, você está brava comigo. Eu entendo. Mas será que podemos conversar? Eu quero conversar sobre… sobre nós dois.

Justine me lançou o olhar gelado do qual eu tanto me lembrava de quando morávamos juntos.

– Não existe “nós dois”, Jack – retrucou ela, ríspida. – Eu nem sei se um dia existiu. Mas ainda me importo com você. Portanto, como sua amiga, quero dizer o seguinte: não desgrude os olhos de Tommy.

Depois da homenagem póstuma a Piper, eu seguira o carro do meu irmão do escritório até sua casa, vira-o consertar um irrigador de jardim e em seguida entrar para o jantar.

O telefone dele estava grampeado, seu carro, rastreado, e naquele exato momento Mo-bot monitorava as imagens em tempo real dos “olhos” que eu havia mirado pessoalmente na sua casa.

– A menos que eu mande implantar um chip no crânio dele, não há muito mais que possa fazer – falei.

– Jack, Tommy me cantou outra vez. Eu não o levo a sério, mas você deveria.

Outra vez?

Tommy havia cantado Justine outra vez?

Senti uma faca penetrar meu estômago. Não só por Tommy ainda estar tentando me derrotar no quesito mulheres, mas porque Justine tinha afiado a ponta dessa notícia para que ela realmente me ferisse fundo.

– Você saiu com ele? – perguntei.

– Quando você estava preso. Foi apenas profissional. Pelo menos para mim.

– Legal, Justine. Obrigado por me manter informado.

– Nos vemos amanhã – disse ela, continuando a descer a escada.

Fiquei parado ali até não conseguir mais escutar o barulho dos saltos batendo no metal.

Entendido, Justine.

Golpe de misericórdia devidamente anotado.