Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 126 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 123

 

MIKE DONAHUE E EU ESTÁVAMOS no aeroporto de Santa Monica, onde eu guardava meu Skyhawn Cessna 172.

Eu contara a Donahue que voara com Colleen algumas vezes e que ela assumira o comando enquanto estávamos no ar. Dera algumas piruetas, soltando risadas muito agudas.

Agora Donahue também queria voar.

Abaixamos para passar debaixo da asa e eu lhe disse:

– Não é como você vê nos filmes, como se pilotar um avião fosse um ou dois níveis mais difícil que dirigir um carro. Em um avião, você controla a mistura de combustível e ar que entra no motor, monitora a temperatura da exaustão, reinicia as bússolas. Noventa e nove por cento do que se faz são procedimentos e verificações. Uma bobeira insignificante em solo tem um significado inteiramente diferente quando se está no ar.

– Como o que, Jack? Não. Não me diga.

– Por exemplo, você se esquece de tampar o tanque de combustível. A gasolina simplesmente evapora. O seu avião vira um planador. E você não quer que isso aconteça.

Donahue apontou e disse:

– A tampa do tanque é aquilo ali?

– É. – Sorri para ele. – Está bem colocada.

Terminamos a verificação da aeronave e ajudei Donahue a subir para o cockpit. Sentei-me no banco do piloto, pus o cinto de segurança e ajustei o fone de ouvido dele para podermos conversar e ele poder escutar meus diálogos com a torre de controle.

Fui liberado para taxiar até a pista de decolagem e Donahue manteve os olhos fixos à frente enquanto avançávamos, sem piscar.

Paramos no final da pista de taxiamento, fiz uma última verificação, reportei-me à torre e iniciei a decolagem. Como sempre, devido à forma como as turbinas giravam, o avião puxou para a esquerda e tive que virar um pouco para a direita ao acelerar.

Fiquei observando o indicador de velocidade e, quando chegamos a 100, recuei o manche alguns milímetros.

O nariz do avião se ergueu e começamos a subir. Soltei a respiração.

Era um lindo fim de tarde. O sol estava se pondo, desenhando no horizonte uma faixa luminosa azul-celeste e rosada. Peguei a direção oeste e comecei a sobrevoar o oceano. Colleen costumava ir recitando os muitos tons de azul e verde conforme a água passava de rasa a profunda.

Contei a Donahue que era bem ali, àquela altitude e àquela distância da terra, que Colleen gostava de assumir os comandos.

– Vou pensar nela pilotando, mas prefiro ser só passageiro – disse-me Donahue.

– Quem sabe você pilota alguma outra vez? – falei.

Levei o avião até as nuvens e, por alguns instantes, não vimos nada a não ser a condensação molhando o para-brisa. Então subimos acima dos castelos de ar e, para o passageiro, assim como para o piloto, era fácil relegar os motores, os magnetos e as tampas do tanque de combustível a um canto da mente e simplesmente sentir a magia e a majestade do voo.

Enquanto navegávamos acima das bolas de algodão em tons pastel das nuvens, Donahue exibia um largo sorriso, e então sua voz soou muito alta em meu fone de ouvido:

– Mudei de ideia, rapaz – disse ele. – Gostaria de assumir um pouco os controles.

Eu lhe disse para dar uma cambalhota e ele me obedeceu. Puxou de leve o manche. O avião pôs-se a subir na vertical, caiu para trás e ficou de cabeça para baixo. Donahue soltou um grito bem masculino e então gritou no microfone:

– Isso é que é ficar de cabeça para baixo!

Sua risada quase fez meus tímpanos explodirem.

Ele concluiu a cambalhota e fomos novamente para oeste. Donahue então tirou a mão do manche e a estendeu para mim. Apertei-a e nos entreolhamos, sorrindo feito dois idiotas.

Foi assim que nos despedimos de nossa querida e doce amiga Colleen.