Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 22 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 19

 

TANDY ESTAVA ADORANDO DESFIAR AQUELE seu roteiro “Jack Morgan é culpado”. Sentado ali no meu sofá, fedendo a curry, ele gesticulava à medida que se aproximava do clímax de sua “teoria”.

– Então a moça estava chorando, ou sei lá o quê, ou quem sabe estivesse de pilequinho. Foi isso? Ela estava exaltada? Histérica? Seja como for, estava alterada. E foi aí que as coisas ficaram difíceis. Você falou que não estava mais interessado. “Obrigado, mas não. Vamos ser amigos.” E ela não quis ser rejeitada outra vez. Então resolveu se matar. Aquilo ia te dar uma lição.

O que Tandy estava dizendo doeu. Sim, Colleen ainda sentia alguma coisa por mim. E eu sentia alguma coisa por ela.

– Muito dramático, Tandy, mas, como já falei várias vezes, não fui eu.

– Então, como eu estou dizendo, Colleen sabia onde você guarda sua arma. Tentou pegá-la. Vocês lutaram. Os dois caíram em cima da cama… e a arma disparou. Gatilho sensível. Pou. Pou. Pou. Ela foi atingida no peito.

– Isso nunca aconteceu.

– Colleen foi baleada. Foi um acidente. Conheço você o suficiente para afirmar isso, Jack. Mas você não pode mudar o que aconteceu. E agora essa pobre moça angustiada está morta na sua casa. É claro que você poderia dar um fim no corpo, mas pensou bem. Talvez Colleen tenha comentado com algum amigo que iria passar na sua casa. Não há como saber. Ou talvez você tenha ficado com medo. Entrado em pânico. Perdido a cabeça…

– Ziegler, fique longe da minha mesa.

– O que é que há, Jack? Tem alguma coisa aqui que eu não possa ver?

Ziegler se aproximou de onde eu e Tandy estávamos sentados. Imaginei-me dando um soco no meio de seu sorriso desdentado.

– Se eu estiver errado, me faça acreditar no que tem a dizer que eu o ajudo – disse Tandy.

Quanta educação. Ele estava se protegendo, isso sim, porque o chefe de polícia e eu éramos amigos.

– É minha vez de falar? – perguntei.

– Vamos lá – disse Tandy.

– Certo, então. Vocês têm que me considerar suspeito. Entendo isso. Mas estão perdendo seu tempo. Alguém armou para cima de mim. Alguém que não gosta de mim. Essa pessoa raptou Colleen, obrigou-a a entregar sua chave do portão e usou a impressão digital dela para abrir a porta. Essa pessoa a levou para dentro da minha casa e lhe deu um tiro em cima da minha cama. O atirador foi embora antes de eu chegar. Imaginou que a polícia não fosse investigar com muito afinco ninguém além de mim. Esse era o plano.

Tandy sorriu.

– Mas é aí que a sua história sai dos trilhos, Jack. Tem uma falha nos seus horários. Você saiu do aeroporto às cinco e meia, mais ou menos. Pegou um pouco de trânsito. Chegou em casa às seis e meia. Pelo menos é o que diz. Às oito, ligou para o chefe de polícia. Passou mais tempo enquanto Fescoe ligava para a delegacia e eram efetuados os trâmites necessários. Quando Ziegler e eu finalmente chegamos, quase duas horas haviam se passado desde que você chegara em casa. Houve tempo de sobra para balear a moça, se livrar da arma, jogando-a no mar junto com o disco rígido do seu sistema de segurança. Aí você tomou uma ducha, lavou os cabelos… caramba, pode até ter chamado o seu pessoal para fazer uma limpeza profissional e deixar o lugar como se nada tivesse acontecido.

– Mitch, a leitora informa que a chave de Colleen foi usada às seis da tarde – falei. – A essa hora, nós mal tínhamos saído do aeroporto.

– E daí? Ela esperou você chegar. Ou então você adulterou o programa de segurança depois. Olhe aqui, Jack, eu sou um cara justo. Me diga uma coisa: quem você acha que matou Colleen?

– Eu não sei. Gostaria de saber.

– Bom, pense um pouco. Seria útil para mim ter a sua opinião. Por que não faz uma lista dos seus inimigos? Eu posso investigá-los. Pessoalmente. Está certo? Pode me ligar, Jack. A qualquer hora.

– Obrigado, Mitch. Vou ligar, sim.

Apertei a mão dos policiais e Cody os acompanhou até o elevador. Filhos da mãe. A situação estava clara como o dia. Eu teria de encontrar o assassino de Colleen.

Cabia a mim salvar minha própria vida.