Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 121
ZIEGLER SE REMEXEU NA CADEIRA. Tinha dado a notícia como se aquilo lhe causasse uma dor física.
– Nós todos estamos interessados, Caine – falou. – Na verdade, estamos atrás da pessoa que a matou.
Expirei. Não me importava que Ziegler e Tandy vissem meu alívio. Eles tinham provas de que Colleen mordera Clay Harris. A prova deles agora era a nossa prova.
Tandy pareceu pensar a mesma coisa.
– Vamos aceitar que Colleen tenha mordido Harris – disse ele. – Mas Morgan, antes de você e seu advogado começarem a comemorar, deixe-me dizer que essa mordida não é conclusiva. Colleen ter mordido Harris não significa que ele a matou. Os senhores entendem isso, não entendem?
A amargura, embora ausente nas palavras, era perceptível no tom de sua voz. Tandy havia se enganado a meu respeito e isso devia ser uma tortura para ele. Queria poder dizer a ele que nos últimos quinze dias ele havia me feito passar por um moedor de carne com lâminas muito afiadas, que era um mau policial e algum dia iria pagar por isso.
Mas me contive.
– Colleen lutou pela vida – comentei. – Fico feliz por isso.
Caine bateu na mesa com os dedos, em parte um sinal para eu calar a boca, em parte para os policiais seguirem falando.
– Então vai ficar feliz em saber que também encontramos isto aqui – disse Ziegler. Ele tornou a abrir o envelope e pegou um objeto de metal. Era um disco rígido. Parecia o que tinha sido levado do meu sistema de segurança na noite em que Colleen fora morta.
Prendi a respiração.
– O que é isso? – indagou Caine.
– O disco rígido de Jack, com imagens que mostram Clay Harris carregando Colleen Molloy para dentro da casa dele. A data e o horário conferem com os da morte de Colleen Molloy. Encontramos o equipamento na pilha de quinquilharias na casa de Harris. E isso indica que ele tirou o disco da casa de Morgan e o levou consigo. Junto com a marca da mordida, isso significa…
Clay Harris havia matado Colleen, mas não tinha engenhosidade suficiente para fazer uma coisa dessas sozinho. Além do mais, ele não tinha motivo.
Tommy tinha motivo – me pôr na cadeia pelo resto da vida. Mas não precisava cometer ele próprio o assassinato. Harris se dispusera a fazê-lo em troca de um ano de salário, que gastou em um carro.
Fazia sentido que Tommy tivesse dirigido os procedimentos da praia, em frente à janela do meu quarto, e que Harris houvesse ligado para ele imediatamente depois de Colleen morrer.
– Meu cliente está dispensado da acusação de assassinato – disse Caine.
– Nós falamos com o promotor assistente Eddie Savino – explicou Tandy. – Ele vai se encontrar com o promotor hoje à noite. Acho que Morgan vai ser inocentado do assassinato de Molloy, mas o problema, Sr. Caine, é o seguinte…
Vi algo nos olhos de Tandy que não me agradou: um clarão, um alerta.
– Agora temos outro cadáver – prosseguiu ele. – Clay Harris morreu baleado. E, Jack, se ele matou a sua namorada, esse é um motivo clássico para você matá-lo.
– Não fui eu – falei.
– Os senhores estão acusando Jack do assassinato de Clay Harris? – perguntou Caine, ríspido.
– Ainda não – respondeu Tandy. – Estamos de olho no senhor, Morgan. No senhor e no seu irmão.