Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 56
EU NÃO CONSEGUIA ABSORVER O que Tandy estava me dizendo.
Colleen não podia estar grávida. Não havia barriga nenhuma. Além disso, ela teria me contado. Ou não?
Ziegler recolheu a cadeira do chão. Então ele e Tandy me levantaram e me puseram sentado outra vez.
– É mentira – falei. – Colleen não estava grávida.
– Como é que você sabe? – indagou Ziegler. – Por acaso recebeu o laudo da necropsia? Nós recebemos. Ainda vai demorar um pouco para termos o DNA, mas pouco importa quem é o pai. Tanto faz de quem ela estivesse grávida. O fato é que o bebê foi assassinado.
Tandy me cutucou no ombro.
Virei a cabeça e olhei para ele.
– Jack, você continua conosco? Eu ainda não liguei a câmera de vídeo, mas vou ligar agora. É melhor você nos dizer a verdade enquanto ainda há tempo.
Tandy saiu da sala e, de fato, ouvi o ruído da câmera de vídeo no canto do teto entrando em foco. Uma luz vermelha começou a piscar.
Tandy tornou a entrar na sala trazendo um bloco amarelo e uma caneta.
– Está preparado, Jack? Porque a hora é esta. Quando nós formos embora, ninguém vai poder ajudar você. Nem mesmo Fescoe.
Ele havia acabado de pôr o bloco e a caneta em cima da mesa quando Eric Caine, meu amigo, advogado formado em Harvard e chefe do departamento jurídico da Private, entrou bufando na sala de depoimento.
Caine era um homem grande, prematuramente grisalho e, como eu, havia jogado futebol americano na faculdade. Em seu estado normal, era um homem de reações contidas, humor seco e autocontrolado.
Agora, porém, estava furioso. E isso fez com que me sentisse bem.
– Jack, você disse alguma coisa? – perguntou-me aos gritos.
– Não. Só os inspetores falaram.
Caine chegou perto de mim e virou minha cabeça para um lado e para o outro.
– Você está sangrando? – Dirigiu-se então a Tandy e Ziegler. – Bater em um prisioneiro é contra a lei. Vocês não só vão ter que encarar um processo como essa agressão anula automaticamente qualquer coisa que ele tenha dito.
– Ele disse que é inocente – zombou Ziegler.
– Um cachorro grande que late bem alto – falou Tandy para o colega, olhando de esguelha para Caine. – Au au.
– Quero que meu cliente seja examinado por um médico – disse Caine. – Agora.