Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 120 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 117

 

PEGUEI A 5 EM DIREÇÃO à cordilheira de Tehachapi, que conecta o sul ao centro da Califórnia.

Clay Harris morava em uma estrada de terra em uma área isolada, onde havia apenas fazendas, parques e reservas florestais. Pela imagem de satélite, eu sabia que a casa dele ficava no fim de um lote de 120 hectares que estava prestes a ser desenvolvido quando a bolha estourou em 2009. A casa de Harris ficava a pouco mais de 3 quilômetros de qualquer outra edificação.

Peguei a 126 até Copper Hill Drive, o que me fez passar por um minicentro comercial e em seguida por um conjunto de casas de trabalhadores migrantes. Depois não havia mais nada a não ser arbustos secos e colinas baixas, pequenos bosques de árvores nativas e quilômetros de terras planas intocadas.

– Temos que virar aqui – falei, dobrando à esquerda na estrada chamada San Francisquito Canyon Road.

Tommy vinha falando de si desde que saíramos de Hancock Park, preenchendo a atmosfera do carro com suas histórias autocongratulatórias sobre os serviços de guarda-costas que prestava para celebridades e sobre o comportamento excêntrico das grandes estrelas. Parou de falar, porém, quando meus faróis iluminaram a grade metálica e placas que diziam: “Harris. Entrada proibida.”

Diminuí a velocidade quando a casa apareceu, estacionei no acostamento e apaguei os faróis.

A casa ficava no fim de uma entrada comprida, bem nos fundos do terreno. Era uma espécie de casa de rancho, tinha apenas um andar e era branca, com detalhes pretos e uma varanda simples na frente.

Havia um grupo de carvalhos nativos já de certa idade no quintal e outros margeando a grade, mas o que chamou minha atenção foi um utilitário esportivo da Lexus na estradinha.

Eu sabia quanto Clay Harris ganhava na Private. Imaginando que Tommy não houvesse quadruplicado sua renda, o Lexus não fazia sentido. A menos que alguém tivesse lhe dado cerca de 75 mil dólares de presente.

Estendi a mão em frente ao meu irmão, abri o porta-luvas e peguei minha pistola.

– Não acho que você tenha porte para essa arma – disse Tommy.

– Isso fica entre nós, tudo bem, Júnior?

Descemos do carro e margeamos a grade, usando as árvores como proteção. O trinco do portão estava aberto, uma desatenção do Sr. Harris, pensei. Ainda estávamos a 10 metros da varanda quando o sensor de presença nos detectou.

Luzes fortes se acenderam.

Uma sirene ecoou pelo terreno aberto, seguida por uma saraivada de balas.

Harris disparava uma semiautomática e os tiros zuniam pelas árvores. Então houve uma pausa no tiroteio.

Será que Clay Harris nos vira? Ou estaria apenas disparando em reação ao alarme, pensando que fosse um coiote ou um urso. Ou então pensando: Se vocês estão na minha propriedade, estão mortos.

– Vá pela porta dos fundos e eu vou pela frente – sussurrei.

– Não, Jack. Vá você pelos fundos.

– Está bem – concordei.

Mas aquilo não estava nada bom.

Eu não havia planejado um tiroteio.

Na verdade, naquele momento, não tinha plano algum.