Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 22
DEL RIO ESTAVA EM SUA sala com Cruz, trabalhando no caso e comparando as ligações que Maurice Bingham tinha feito pelo celular com a lista dos serviços de acompanhante das páginas amarelas de Beverly Hills.
– Uma vez namorei uma garota de programa – disse Del Rio.
– Essa eu não posso deixar de escutar – retrucou Cruz, aproximando a cadeira da mesa de Del Rio para ver a tela do computador.
– Eu me inscrevi na seção “papai presente especial” – começou Del Rio. – “Garotas presente especial” saem com um cliente só até ganharem dele dinheiro suficiente para comprar o tal presente. O nome dela era Chelsea. Muito bonita, muito inteligente. Estava cavando seu lugar ao sol no mundo da moda quando uma amiga lhe disse que ela podia ganhar uma grana fazendo programas. O suficiente para abrir seu próprio negócio.
– Quando foi isso? Antes ou depois de você sair da prisão? – quis saber Cruz.
Cruz era um rapaz atraente de 27 anos. Usava os cabelos escuros presos em um rabo de cavalo curto. Tinha a barba feita e só andava de preto. Havia sido boxeador peso médio, policial e investigador da promotoria do condado. Atualmente era investigador sênior na Private. Sua carreira estava decolando.
– Depois. Nem te conto como eu estava na seca naquela época. Um beijinho podia me levar à loucura – disse Del Rio.
– Pronto, aqui está – interrompeu Cruz, apontando para o número na tela. – Bingham ligou para um serviço de acompanhantes chamado Phi Beta Girls.
Del Rio digitou o nome da empresa no browser e um site se abriu na tela do computador.
Cruz leu em voz alta a descrição marqueteira:
– “Lindas garotas de todas as etnias. Além de lindas, extremamente inteligentes”, blá-blá-blá. “Todas adoram trabalhar como acompanhantes”, haha. “Escolhidas por especialistas para encontrar o par ideal.” Ah, com certeza. Para encontrar o cartão de crédito ideal, isso sim.
– Chelsea queria colocar silicone nos peitos, então, sabe como é, tive que sair umas três vezes com ela para cobrir o preço da cirurgia, e aí ela começou a querer outro “presente especial”. Queria um carro. Como eu não tinha 50 mil de bobeira, Chelsea me deu um pé na bunda e me trocou por outro papai-presente, dono de uma concessionária de carros de luxo. Agora só anda por aí de Bentley.
Cruz riu.
– Nada mal por algumas horas de trabalho.
– E pensar que a minha beleza e as minhas habilidades na cama não significaram nada para ela – comentou Del Rio. – Eu era um partidão.
– Você ainda é a fim dessa mulher? – quis saber Cruz.
– Sou. Ela foi o amor da minha vida – respondeu Del Rio. – Estou de sacanagem, seu mané. A Chelsea era garota de programa. – Ele riu e voltou a atenção para a tela outra vez. – Certo, a Phi Beta tem um portfólio de umas cem acompanhantes. Olhe só para essas garotas. Jessie. Seiscentos dólares por hora. Mínimo de duas horas. Três mil para passar a noite. “Diana, coelhinha da Playboy, uma celebridade…”
– Olhe o endereço da empresa aqui – disse Cruz. – Vamos dar um rolé.