Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 94
JUSTINE ESTAVA NO CHALÉ OUTRA vez, agora à luz do dia. Ela, o Dr. Sci e Nora Cronin estavam perto do canteiro em que havia marcas recentes de pneu.
Um carro havia estacionado entre as flores, como Danny dissera. E Danny também havia sugerido que a pessoa que matara Piper devia estar dirigindo esse carro.
Um perito em marcas de pneu da polícia de Los Angeles apontou sua Minolta para as marcas e disparou algumas fotos. Ajeitou uma régua ao lado das marcas e tirou mais algumas.
– Obrigada, Stan. Por enquanto está bom – disse Nora.
O Dr. Sci estava animado como uma criança em dia de aniversário.
– Que beleza, Justine. Que marca de pneu incrível.
A polícia tinha dois grandes scanners da Leica em seu laboratório.
Já Sci estava usando o melhor da tecnologia da Private, um ZScanner 700 CX portátil, que captava imagens em três dimensões, totalmente coloridas, com autoposicionamento em tempo real. Nenhum scanner no mundo inteiro superava aquele aparelho.
– Sci, não me importo de você se exibir – disse Nora. – Mas se vangloriar não é legal.
Sci riu.
– Só estou dizendo que vocês vão agradecer a Jack por ter gastado 50 mil nisto aqui.
– Se pegarmos o filho da mãe por causa do seu scanner, beijo Jack na boca, ok?
Sci deu um sorriso.
– Se Jack achar que tudo bem, por mim tudo bem também.
O scanner 3D parecia um par de secadores de cabelo com um cabo só. Sci posicionou sobre as marcas de pneu uma série de pequenos marcadores, em seguida passou o scanner por cima deles em um movimento contínuo. Quando o fez, a imagem se transferiu para o laptop que Justine havia aberto sobre um toco de árvore próximo. Cada sulco, ondulação e detalhe da marca apareceu na tela.
Nora se aproximou para olhar enquanto Justine comparava a imagem a 6 mil padrões distintos na base de dados TreadMate.
Quando o programa se deteve em uma marca de pneu idêntica à imagem escaneada por Sci, Justine prendeu a respiração. A palavra encontrado piscava na tela.
– A marca confere – disse ela.
Sci se aproximou de Nora para olhar por cima do ombro de Justine.
– Um N-spec – falou. – O pneu-padrão da Porsche. Justine, posso?
Sci digitou algumas teclas no laptop e encontrou o que estava procurando.
– Os pneus N-spec têm um desenho especial. Há um sulco bem fino ao redor da curva externa. Acho que é o pneu mais usado no Porsche 911. – Algo chamou sua atenção e ele apontou para uma marca plana perto da imagem que não fazia parte do rastro do pneu. – Olhem aqui. Isto é uma pegada parcial. Parte do bico de um sapato. O cara pisou na terra quando desceu do carro. Pena que deu ré por cima do resto das pegadas quando foi embora.
– Dá para escanear a pegada? – perguntou Justine.
– Mesmo que a gente consiga identificar o tipo de sapato, a pegada parcial não basta para nos dar o tamanho ou apontar marcas de uso.
Justine estava pensando no início da manhã do dia anterior.
Tinha começado a descer a trilha atrás do chalé de Danny em direção a seus gritos. Del Rio a alcançara e eles então ouviram portas baterem perto do chalé.
Del Rio seguira em frente enquanto Justine voltava para o imóvel. Ao chegar lá, ela falara com os três homens que tinham vindo ajudar Danny: Schuster, Barstow, Koulos.
Não observara os carros. Não era capaz de identificar com precisão os veículos que vira às quatro da manhã no escuro.
Apesar disso, achava que um deles fosse um Porsche.
Que modelo? E quem estava dirigindo?
Ela não sabia dizer. Mas todos os carros haviam estacionado no acesso de terra batida. Algum daqueles homens podia ter vindo mais cedo, quando Danny ainda estava dormindo e, com pressa, em vez de estacionar o Porsche atrás da Ferrari, parou ao lado, em cima do canteiro…
– Podemos tentar uma correspondência à moda antiga – falou.
– Não tem como, Justine! – gritou-lhe Nora bem na frente de Sci, Stan e todos os outros peritos no raio de alcance de sua voz. – Não tem como conseguir um mandado com base em uma marca de pneu que pode corresponder a qualquer um dos zilhões de Porsches que existem em Los Angeles.
Justine não soube o que dizer. Não estava acostumada a acatar regras, tampouco a outras pessoas gritarem com ela. Nora tinha razão, claro. Mas havia outros caminhos.
– Nora, você tem como checar as imagens das câmeras de trânsito? Pode fazer isso sem mandado?