Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 122 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 119

 

 

AEXPRESSÃO DE TOMMY SE ENCHEU de raiva e incredulidade.

– Que porra você está fazendo? – indagou ele.

A atendente entrou na linha e perguntou:

– Qual é a sua emergência?

Disfarcei a voz e disse, com um leve sotaque espanhol:

– Ouvi tiros vindos de uma casa em San Francisquito Canyon Road.

Dei-lhe o número da casa e disse que havia entrado lá para ver se alguém precisava de ajuda. Disse também que havia encontrado uma pessoa dentro da casa, um homem, e que ele tinha sido baleado.

– Ele está respirando? – perguntou-me a atendente.

– Não. Está morto.

– Qual é o seu nome?

– Sinto muito. Não posso dizer.

Desliguei o telefone.

Tommy me perguntou outra vez o que eu pensava que estava fazendo e repetiu que havia atirado em Clay Harris por legítima defesa.

Eu não lamentava o fato de Harris estar morto, mas teria sido melhor para mim se ele tivesse continuado vivo, se tivéssemos conseguido fazê-lo se virar contra Tommy e depor que haviam conspirado para matar Colleen.

A arrogância de Tommy havia desaparecido.

– Jack, vamos embora desta porra – disse ele, muito agitado. – Tenho que desovar esta pistola.

Sua única preocupação era se livrar da arma. Uma coisa eu precisava dizer sobre Tommy: meu irmão era um merda, igualzinho a meu pai.

Apontei a câmera do telefone para a marca de mordida na mão de Clay Harris, tirei três ou quatro fotos para ter certeza de que havia obtido a imagem de que precisava: uma que incluísse a mão mordida e o rosto morto. Então saí da casa pela porta da frente ainda aberta.

Destranquei o carro com o controle remoto e os faróis brilharam a uns 100 metros de distância. Fui descendo a estrada escura com Tommy em meu encalço.

Nenhum outro carro passava por aquela estrada. Não havia ninguém.

Cheguei ao carro e sentei-me ao volante. Tommy tentou abrir a porta do passageiro, mas eu a havia trancado. Ele puxou a maçaneta várias vezes, depois começou a bater no vidro com o punho. Ele me xingava, parecia totalmente desesperado.

Ainda estava implorando para eu abrir a porta quando dei a partida no motor.

– Jack, por favor, abra a porta. Você sabe que eu só estava de zoação. Sabe que ele ia atirar em mim. Que ele era um inútil.

Abri a janela alguns centímetros.

– Diga isso para a polícia – falei. – Você sabe ser persuasivo, Tommy. Eles vão chegar em poucos minutos. Ou então pode começar a andar. Quem sabe consegue fugir?

– Jack, você não vai querer me deixar aqui. Sério. Não faça isso. Eu vou dizer que você estava aqui. Vou dizer que foi você.

Tornei a subir o vidro e entrei na estrada que se estendia do nada a lugar nenhum por 3 quilômetros em ambas as direções.

Quando cheguei novamente a Copper Hill Drive, liguei para Eric Caine e contei-lhe o que havia acontecido.

Então apenas ouvi o que meu experiente advogado formado em Harvard tinha a dizer.