Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 3
ABRI A PORTA DA FRENTE e Justine entrou na casa feito uma brisa suave. Ela era uma psiquiatra de primeira linha, inteligente, especialista em traçar perfis de criminosos… caramba, inteligente não. Justine era um gênio. Graças a Deus estava ali.
Levou a mão ao meu rosto, buscou meu olhar e disse:
– Jack. Onde ela está?
Apontei para o quarto. Ela entrou e eu fui atrás. Fiquei parado no vão da porta, anestesiado, enquanto ela se aproximava da cama.
– Ah, não – gemeu ela e uniu as mãos debaixo do queixo.
Mesmo ali, enquanto eu presenciava aquela cena de partir o coração, Colleen continuava viva na minha mente.
Lembrei-me dela na casinha que ela havia alugado em Los Feliz, um ninho de amor que praticamente cabia na palma da mão. Pensei nela rebolando vestida com uma lingerie bem pequena e calçando imensos chinelos felpudos, salpicando seu sotaque carregado com os velhos ditados irlandeses da avó: “O campo vai ficar cheio de chapéus sem dono.”
“Como assim, Molloy?”, eu lhe perguntara.
“Isso vai ser um problema.”
E agora ela estava ali, deitada na minha cama. Um problema sem conserto.
Justine estava pálida quando voltou para junto de mim. Envolveu-me com os braços e me apertou.
– Jack, eu sinto muito. Muito mesmo.
Abracei-a com força, e então, de repente, Justine me empurrou, se afastando. Encarou-me com os olhos escuros e perguntou:
– Por que o seu cabelo está molhado?
– Meu cabelo?
– Você tomou uma ducha?
– Tomei. Quando cheguei em casa, fui direto para o banheiro. Estava tentando acordar.
– Bom, Jack, isso não é nenhum sonho. É a realidade nua e crua. Quando você tomou banho, já havia visto Colleen?
– Não fazia a menor ideia de que ela estava aqui.
– Não a tinha chamado para vir para cá?
– Não, Justine, não tinha. Não.
A campainha voltou a tocar.