Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 83 de 135

Páginas do PDF

Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 80

 

JUSTINE HAVIA ACABADO DE ABRIR a porta de casa quando seu telefone tocou. Ela acionou o interruptor da luz do hall. Rocky latiu, correu até ela e se atirou contra suas pernas.

Ela afagou as orelhas do cachorro, jogou as chaves do carro sobre a mesa e pegou o celular para verificar a chamada. Era Larry Schuster, empresário de Danny.

O que ele queria dessa vez? Ameaçá-la de novo com um processo?

Justine ainda tremia por causa dos acontecimentos repulsivos das últimas horas: a atriz adolescente morta, as ameaças de Mervin Koulos, a lamentável prisão de Danny Whitman, que havia chutado e berrado até três policiais conseguirem enfiá-lo dentro de uma viatura.

Justine atendeu.

– Vocês ainda trabalham para nós? – perguntou Schuster.

– Larry, você deve estar brincando. Danny rompeu o contrato quando fugiu de carro do set…

– Ele fugiu do set, mas é inocente de todo o resto.

– Larry, sinto muito por Danny e por você, mas nós estamos fora. É hora de vocês chamarem seus advogados.

– Converse com ele, é só isso que eu peço. Deixe que ele conte o que está acontecendo.

– Larry, ele já me contou. Ele tem a impressão de que alguma outra pessoa está controlando sua vida, mas pelo que entendi ninguém lhe disse para fugir com Piper Winnick… e agora ela está morta.

– Eles estavam namorando. Estavam envolvidos. Foram dormir e, quando ele acordou, ela havia sumido. Ele não a empurrou daquele penhasco. Saiu para procurá-la e a encontrou lá embaixo.

– Larry, talvez os advogados do estúdio sejam bons o suficiente para dar um jeito na acusação de estupro, mas, se Danny fosse meu cliente, eu contrataria o melhor advogado criminalista da Califórnia. Deve haver uma dezena de figurões por aí que adoraria defender Danny Whitman. Geragos, Tacopina…

– Estou no setor médico do Twin Towers – disse Schuster. – A polícia deixou Danny sozinho por um minuto e ele se jogou de cabeça contra a parede da sala de depoimento.

– Está brincando? Ele se machucou muito?

– Teve uma bela concussão. Está deprimido. Ele estava apaixonado por Piper. Você entende isso?

– Não, Larry, não entendo. O que você quer de mim?

– A senhora é psiquiatra. E Danny confia na senhora. Ele me pediu que a chamasse, e eu disse que iria tentar.

– Sou psicanalista, mas não a psicanalista dele.

– Eu disse à polícia que era, assim vai poder entrar para falar com ele. Pode só conversar com ele? Talvez consiga entender melhor o que está acontecendo, Dra. Smith, porque eu conheço Danny muito bem. Há quatro anos o vejo diariamente e uma coisa eu lhe garanto: Danny não matou ninguém.

Justine estava exausta, estressada e precisando dormir, mas agora também estava dividida.

Deveria falar com Danny porque ele ainda era seu cliente e pedira para vê-la?

Ou deveria esperar até falar com o advogado de Jack e da Private, Eric Caine?

Nefertiti se esfregou nela.

Justine se curvou para acariciar a gata.

Tudo em Danny Whitman a incomodava. Seria ele um psicopata? E seria por isso que nem ela nem Larry Schuster tinham identificado seu potencial violento? Ou ele seria um cordeirinho tão inocente quanto Schuster afirmava?

Para sua própria paz de espírito, ela precisava saber.

– Dra. Smith? – disse Schuster.

– Estou aqui.

Com o tráfego, o trajeto até o Twin Towers levaria uma hora. Seria preciso um dia inteiro para passar pela burocracia do complexo e mesmo assim talvez ela não conseguisse falar com Danny.

– Estão me bipando – disse Schuster. – Deixei seu nome na entrada principal.