Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 89
PASSAVA UM POUCO DA MEIA-NOITE. Com exceção de um saco plástico flutuando pela rua e de um ou outro carro perdido nas redondezas, absolutamente nada acontecia na esquina da Anderson com a Artemus.
O carro de serviço da Private era um sedã Chevrolet cinza ano 2007. Estava parado na Anderson, logo ao sul da Artemus, de onde os detetives tinham uma visão desimpedida do armazém da Red Cat Pottery e da plataforma de carga.
Del Rio estava ao volante, Cruz no carona e Scotty atrás. Ficaram em silêncio até que Cruz disse:
– Ligue para Jack.
Del Rio telefonou e contou a Jack onde estavam. Eles trocaram impressões sobre como roubar uma fortuna em remédios tarja preta para a Máfia de Las Vegas sem serem pegos, sem serem jogados no xadrez por vinte anos e sem a ajuda de Carmine Noccia.
– Está ficando tarde, Jack – disse Del Rio. – Esses analgésicos vão sair do armazém uma caixa de cada vez. Em algumas semanas, tudo que vai haver lá dentro é uma van vazia e Noccia vai cortar algumas cabeças. A começar pela sua.
Jack deu o sinal verde a Del Rio, e desligaram.
Cruz ligou o carro e foi até a Boyd, uma rua sem saída paralela à Artemus, onde achou uma vaga entre caminhões e vans estacionados na perpendicular. Havia veículos parados em ambos os lados da rua de armazéns de cimento cobertos de grafites coloridos.
Del Rio virou-se para trás.
– Scotty. Agora é com você. Vamos lá.
O mais jovem do grupo tomou um gole de sua garrafa d’água e disse:
– Estou pensando na janela debaixo da escada.
– Seja rápido – falou Del Rio.
Scotty calçou um par de luvas de operário, pôs o interruptor da luz de teto na posição “desligado” e abriu a porta traseira do Chevrolet.
– Espere um instante – disse Del Rio.
Del Rio esperou um táxi passar por eles e disse a Scotty que prosseguisse. Vestido de preto da cabeça aos pés, Scotty estava praticamente invisível, a não ser pelo brilho dos cabelos louros. Del Rio e Cruz ficaram observando enquanto ele chegava ao fim da rua sem saída e a atravessava.
Então Scotty sumiu.
Após trinta segundos, um alarme começou a tocar, e instantes depois a porta de trás do carro foi aberta e Scotty entrou perguntando:
– E aí, cronometraram?
Cruz riu.
– É, foi bem rápido. Tipo naqueles filmes em que o tempo para e o cara fica correndo no meio de um bando de pessoas congeladas, sabe?
– Vamos ver quanto tempo a polícia demora para atender ao chamado – disse Del Rio.
Quatro minutos depois, as primeiras sirenes chegaram pela South Anderson e pararam em algum lugar fora do campo de visão do grupo. Pela proximidade do ruído dos rádios das viaturas, Del Rio calculou que estivessem em frente às grades de ferro da plataforma de carga.
Afundaram em seus assentos e Del Rio tentou convencer a si mesmo de que não haviam cometido nenhum crime até então. Scotty só havia sacudido uma janela até disparar o alarme. Eles esperaram para ver se chegariam mais carros, mas apenas duas viaturas apareceram.
Quando a polícia foi embora, eles fizeram tudo de novo: dispararam o alarme, esperaram a polícia chegar e ir embora. Então repetiram tudo uma terceira vez.