Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 36 de 135

Páginas do PDF

Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 33

 

O TAVERN ERA UM PUB E restaurante irlandês que parecia realmente ter sido tirado de Galway ou Cork e transplantado para Los Feliz.

Quando chegara a Los Angeles, Colleen estava decidida a conseguir a cidadania americana. No tempo entre o fim do expediente na Private e a hora de ir para casa estudar, ela passava no pub. Era lá que todo mundo sabia seu nome e quase todas as pessoas em frente ou atrás do balcão do bar tinham parentes na Irlanda.

Mike Donahue vinha de uma cidade rural a poucos quilômetros de onde Colleen fora criada. Estudara com o pai dela. Quando Colleen o conheceu na Cidade dos Anjos, Donahue virou praticamente um tio para ela.

Eu estava em frente ao pub de Donahue, com sua tabuleta vermelha de letras douradas pendurada acima da porta e clientes saindo pela calçada.

Lá dentro, o bar pulsava com a música alta e os gritos dos clientes que tentavam se fazer ouvir. O balcão em formato de ferradura estava abarrotado e três camadas de pessoas o cercavam. Uma ruidosa partida de dados estava em curso na sala dos fundos.

Mike manejava as torneiras e servia o chope. Era um homem corpulento, com uma barba espessa e rugas profundas em volta dos olhos e na testa, resquícios de cigarros, sol e risadas.

Quando ergueu os olhos e me reconheceu na porta, porém, o que vi em seus olhos foi uma profunda tristeza.

Ele largou o pano de prato e saiu de trás do balcão. Perdi-o de vista enquanto ele abria caminho pela multidão. Então ele surgiu de um círculo de clientes e veio na minha direção.

Não vi o soco chegar.

Fui derrubado por um punho que parecia uma tábua de madeira. A dor no maxilar pareceu se irradiar por todos os pontos do meu corpo – nariz, pescoço, ombro, até a ponta dos dedos. Quando abri os olhos, estava caído no meio de um círculo de caras zangadas.

Eu não era bem-vindo ali.

Havia entendido tudo errado. E Donahue também.

Fiquei furioso – com tudo e com todos. Tive vontade de bater, bater muito e com força. Poderia acabar com Donahue. Pensei que também poderia acabar com os três fortões em pé à sua volta. E, se não conseguisse, talvez levar uma surra até fosse bom. Para transformar a dor emocional em dor física.

Levantei-me cambaleando e Donahue levou a mão ao meu peito e me empurrou em direção à parede.

– Jack, você não deveria ter vindo aqui – disse ele. – Estou puto o bastante para cometer um assassinato diante de Deus e de outras testemunhas.

Cerrei os punhos ao lado do corpo.

– Mike, não foi minha culpa. Não fui eu.

– Qual é a sua história, então?

– História? Eu era louco por Colleen. Por que iria matá-la?

– Talvez ela estivesse estragando o seu estilo, Jack.

– Escute aqui.

Eu estava desesperado para fazê-lo acreditar em mim. Segurei-o pelos bíceps e o sacudi, gritando bem na sua cara:

– Não fui eu! Mas eu prometo que vou descobrir quem matou Colleen. E vou fazer o filho da mãe sofrer.