Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 57 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 54

 

 

TANDY PEGOU MEU COTOVELO ESQUERDO, Ziegler o direito, e me conduziram de andar em andar pela escada caracol. Clientes e clientes em potencial, funcionários que circulavam entre um andar e outro, todos viram que eu havia sido preso.

As expressões em seus rostos espelhavam o choque que eu próprio sentia.

– Tem um carro esperando lá fora – disse Ziegler. – Não é do tipo com que você está acostumado, Jack. Mas tem um motor. E rodas.

– Vocês não precisavam fazer as coisas desse jeito – falei. – Mas tenho quase certeza de que sabem disso.

Tandy riu. O filho da puta estava tendo um dia excelente. Quando chegamos ao térreo, Ziegler segurou a porta e saímos para a Figueroa Street.

Estava na cara que a polícia tinha avisado a imprensa. O sol da manhã iluminava com uma luz chapada e forte os rostos ávidos dos repórteres que se precipitavam na minha direção. Curiosos se aproximavam da aglomeração.

– Toda publicidade é boa, Jack – zombou Tandy. – Li isso na Variety.

Cody me esperava no meio-fio, quase em prantos.

– Justine e o Dr. Caine estão indo para o TTFC – disse-me ele. – Vão encontrar você lá.

TTFC era o Twin Towers Correctional Facility, ou Centro Correcional das Torres Gêmeas, o gigantesco complexo prisional que substituíra o Palácio de Justiça de Los Angeles após o terremoto de 1994. Conhecido como a prisão mais movimentada do mundo livre, compreendia um centro de detenção e três presídios espalhados por um terreno de 40 mil metros quadrados.

As histórias de terror sobre a brutalidade praticada no TTCF eram lendárias. Se você não conseguisse sair sob fiança, podia perder a saúde ou até mesmo a vida enquanto aguardava meses para falar com um juiz – independentemente de ser culpado ou não.

– O que devo dizer às pessoas? – perguntou Cody.

– Diga que fui injustamente acusado e que darei uma declaração para a imprensa assim que voltar ao escritório.

– Não se preocupe, Jack. O Dr. Caine vai soltar você. Ele é o melhor.

Cody estava tentando me reconfortar e eu queria reconfortá-lo, mas não consegui encontrar nada de animador para falar.

Desejava não ter dado ouvidos a Justine, desejava ter ido procurar Tommy e enchido a cara dele de porrada. O filho da mãe era dissimulado, mas não era páreo para mim. Não em um combate limpo. Ele teria contado alguma coisa.

Jornalistas chamavam meu nome e gritavam:

– Jack, qual é a sua versão da história? O que você quer que o público saiba?

Tandy empurrou minha cabeça para baixo e me fez entrar no banco de trás de uma viatura sem insígnia. Quando me abaixava para passar pela porta, virei a cabeça e ergui os olhos para nossos escritórios.

No segundo andar, Mo-bot estava debruçada em uma janela aberta com uma câmera de vídeo na mão.

Ela estava filmando tudo.

Ao me ver olhar para cima, fez o sinal de positivo com o polegar. Fui tomado por uma onda de afeto por Mo. Sorri para ela por um segundo antes de Tandy bater a porta. Ele então deu a volta na viatura e sentou-se no banco de trás junto comigo.

Na frente, Ziegler ligou o motor.

Passou-se um minuto, talvez dois, enquanto esperava uma brecha se abrir no tráfego e nesse tempo os jornalistas não pararam de bater nas portas e nas janelas. Então o carro partiu.

Não vi um fio sequer de esperança.

Eles haviam me pegado e, se pudessem, iriam me destruir.