Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 4
ACHEGADA DO DR. SCI E de Mo-bot melhorou em duzentos por cento as chances de entender o que havia acontecido na minha casa.
Dr. Sci, que na verdade se chamava Seymour Kloppenberg, era o criminalista-chefe da Private. Tinha uma extensa lista de diplomas, a começar por um doutorado em física pelo MIT aos 19 anos – e isso fazia só dez anos.
Mo-bot era Maureen Roth, uma geek cinquentona, que resolvia qualquer coisa relacionada a tecnologia. Especialista em crimes cibernéticos, era também a mamãe de plantão da Private.
Mo trouxera sua câmera e sua sabedoria. Sci tinha seu kit para cenas de crime, provido com equipamentos de ponta para coleta de indícios.
Fomos até o meu quarto e ficamos os quatro em pé ao redor do cadáver de Colleen enquanto, pela janela, a noite caía.
Nós tínhamos amado Colleen. Todos os quatro.
– Não temos muito tempo – disse Justine rompendo o silêncio, passando a operar como investigadora de um homicídio. – Jack, preciso perguntar: você teve alguma coisa a ver com isso? Porque, se teve, a gente pode dar um sumiço em tudo.
– Encontrei Colleen desse jeito quando cheguei em casa – respondi.
– Ok. Mesmo assim, cada minuto que passa torna você cada vez mais culpado – continuou Justine. – Então vamos repassar tudo outra vez, depressa e com cuidado. Comece pelo início e não deixe nada de fora.
Enquanto Mo e Sci calçavam luvas de látex, Justine ligou um gravador digital e me indicou que começasse a falar. Contei a ela que, ao descer do avião, Aldo me esperava na área de desembarque da British Airways às cinco e meia em ponto.
Contei a ela sobre a ducha e como havia encontrado o corpo de Colleen. Disse que minha pistola tinha sumido, assim como o disco rígido do meu sistema de segurança.
Repeti que não tinha a menor ideia do que Colleen estava fazendo lá em casa ou por que tinha sido morta.
– Justine, não fui eu.
– Eu sei, Jack.
Ambos sabíamos que, quando a polícia chegasse, eu iria me transformar no suspeito número um; embora tivesse amigos policiais, não podia confiar em nenhum deles para encontrar o assassino de Colleen quando era tão mais fácil pôr a culpa em mim.
Eu tivera um relacionamento pessoal com a vítima.
Ninguém havia arrombado minha casa.
A vítima estava na minha cama.
Aquilo era o que os órgãos de segurança pública gostavam de chamar de caso fechado. Em volta de mim.