Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 66 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 63

 

VIREI AS COSTAS PARA DEWEY Arnold e vi uma mulher negra e alta saindo da minha sala. Era bonita, devia ter quase 30 anos, pesar uns 100 quilos e medir 1,80 metro sem salto. Usava uma blusa branca com um pouco de renda no decote em V e uma calça verde-escura. Tinha uma expressão assustada – é bem verdade que a chuveirada não conseguira lavar por completo os últimos dias. Eu ainda estava com uma aparência assustadora.

Mais importante, porém, era que eu não sabia quem era aquela mulher.

O que ela estaria fazendo na minha sala?

– Meu nome é Valerie Kenney – disse ela. – Vim substituir Cody.

Ela estendeu a mão e eu a cumprimentei, mas continuei sem entender. Cody tinha dito que ficaria mais uma semana. E que eu poderia entrevistar os três melhores candidatos sugeridos por ele.

– Cody quis que eu fosse me adaptando. Quis me treinar um pouco antes de sair – explicou Valerie. – Está marcando umas reuniões para mim agora mesmo.

– Entre aqui na minha sala, por favor – falei.

Indiquei a Val Kenney a área de espera.

– Tenho certeza de que Cody teria me avisado sobre você, mas faz alguns dias que estou sem telefone.

– Sem telefone. Que inferno, não é?

Eu ri. Pela primeira vez em algum tempo.

– Então, Val, qual é a sua história?

Ela resumiu a própria vida, atendo-se aos pontos principais. Tenho certeza de que havia ensaiado aquele discurso, mas não soou excessivamente artificial. Val era de Miami. Sua mãe ainda morava em Coral Gables. Ela estudara na Universidade de Boston e se formara em ciências havia quatro anos.

– Fiz pós-graduação em criminologia na Universidade de Miami – contou-me. – Minha mãe precisou que eu voltasse para casa e passasse um tempo ajudando-a com meu irmão. Ele estava na adolescência, meio fora de controle, sabe como é. Lembra-se de quando o senhor foi a Miami dar uma palestra sobre investigação criminal?

– Lembro.

– Eu estava na primeira fila.

– Desculpe. Tinha muita gente lá.

– Ah, tudo bem. Mas o senhor me causou uma impressão muito forte, Sr. Morgan.

– Jack.

– Jack. Então, como estou me saindo? – perguntou ela. – Continuo contratada?

Ri pela segunda vez. Suponho que devia estar com saudades de rir, já que estava contando.

– Vamos ver como as coisas andam – falei. – Pode continuar.

Val disse que havia trabalhado por um curto período no escritório do Departamento de Polícia de Miami enquanto cursava a pós-graduação à noite e que falara à mãe que um dia se mudaria para Los Angeles e iria trabalhar na Private.

– Essa última parte é mentira – interrompi.

Ela sorriu.

– É o que se deve dizer nas entrevistas. “Eu sempre quis trabalhar aqui.” Mas, caramba, eu sempre quis mesmo. Quis e quero.

– Já se mudou para LA?

– Já. Sou dada a atitudes ousadas.

Era a primeira vez que ela parecia nervosa em 15 minutos, desde que Dewey Arnold me desejara boa sorte como se me amaldiçoasse a contrair a peste.

– Quando Cody respondeu ao meu e-mail, embarquei em um avião e vim encontrá-lo – continuou Valerie. – Falando em e-mail, você recebeu vários. E ligações também. Três clientes desistiram… encontrei os contatos deles no seu computador. E tem umas cinco reuniões que preciso remarcar para você, se estiver de acordo. Sr. Del Rio, urgente. Sra. Poole, urgente. Posso continuar?

– Você sabe o que aconteceu comigo?

– Sei.

– Para solucionar o assassinato de Colleen Molloy, vamos ter que trabalhar à noite. E nos fins de semana. Você fez pós-graduação. Tem certeza de que vai querer ficar atendendo o telefone?

– Tenho. E posso fazer qualquer coisa de que precisarem. Este é o emprego dos meus sonhos, Sr… ahn, Jack. Vou dar o melhor de mim. Eu juro. Palavra de bolsista. Eu estudei nas melhores escolas com bolsa.

Val tinha as mãos unidas com força no colo. Estava inclinada na minha direção, esperançosa.

Tive que sorrir. Ela era inteligente e motivada, mas seria tão competente quanto sua atitude dava a entender?

– Quando você achar que estou pronta, conversaremos sobre me transferir para a área de investigações – disse Val Kenney.

Uma acusação de homicídio pairava sobre a minha cabeça. Eu precisava correr o risco de a inteligente e motivada Sra. Kenney ter de proteger minha retaguarda enquanto eu fizesse o que fosse necessário para salvar minha vida.

Estendi a mão e tornei a apertar a dela.

– Bem-vinda à Private.