Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 63 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 60

 

O PROMOTOR-ASSISTENTE CHAMAVA-SE EDDIE SAVINO. Ainda não completara 30 anos, era moreno, bonito e estava a caminho do topo – ou pelo menos dava essa impressão.

– Vossa Excelência – disse Savino –, o Sr. Morgan assassinou Colleen Molloy, uma de suas namoradas, com três tiros no peito. Achamos o DNA dele dentro do corpo da vítima, para me expressar de forma delicada.

O promotor deu um sorriso irônico, olhou de relance para a galeria, não obteve reação e prosseguiu:

– E a circunstância agravante da acusação é que a Sra. Molloy estava grávida de seis semanas.

– Continue – disse o juiz. – E deixe de lado os floreios, Eddie. Não tem júri nenhum aqui. Sou só eu.

– Pois não, Vossa Excelência – respondeu o promotor. Abriu um sorriso cheio de charme. – A arma do crime foi uma pistola calibre 45 registrada em nome do Sr. Morgan, que foi escondida no meio de algumas plantas a 5 metros da porta da frente da casa do acusado. As balas da pistola correspondem às que foram extraídas do corpo da vítima.

Enquanto Savino discorria e enumerava os itens com os dedos, o juiz Coffin me encarou pela primeira vez.

– Jack Morgan é rico, anda armado e é perigoso. Ele é também piloto de avião. Não apenas sabe pilotar, Vossa Excelência, como possui um avião. Se isso não constitui um “risco de fuga”, não sei como se poderia definir essa expressão. – Continuou após uma pausa: – A promotoria solicita que o Sr. Morgan seja reencaminhado para o Twin Towers para aguardar julgamento.

Tudo o que Savino acabara de dizer sobre mim era verdade – menos a acusação de ter atirado em Colleen e sobre representar risco de fuga. Minha atitude em relação àquilo estava mudando. Depois de passar pelo terror e pela autocomiseração, eu agora estava começando a ficar muito puto.

– Dr. Caine – disse o juiz Coffin. – Pode falar.

– Belo discurso o do Dr. Savino, Vossa Excelência – começou Caine –, mas o meu cliente não representa risco de fuga. Ele quer se defender contra essas acusações falsas e hediondas, pois não tem culpa de nada. A polícia tirou conclusões precipitadas e o Sr. Morgan está pagando por esta preguiça.

– Só os fatos, Dr. Caine, por gentileza – interrompeu Coffin. – Tenho mais cem pessoas aguardando audiência para hoje.

– Perdão, Vossa Excelência. Os fatos são: o Sr. Morgan é um herói de guerra. É um piloto nato. Foi capitão dos fuzileiros navais. Pilotou helicópteros de transporte no Afeganistão e foi condecorado com a Estrela de Prata. O Sr. Morgan é amigo pessoal do chefe da polícia e do prefeito e ambos podem atestar sua boa índole. – Após uma pausa dramática, Caine continuou: – Além disso, Vossa Excelência, o Sr. Morgan emprega mais de trezentas pessoas. Seja qual for a definição da expressão “pilar da comunidade”, Jack Morgan se encaixa nela.

– Conclua, Dr. Caine, por obséquio.

– Em conclusão, Vossa Excelência, o Sr. Morgan chegou em casa de uma viagem de trabalho e encontrou a ex-namorada morta em sua cama. Foi uma armação. Ele chamou a polícia. Se o meu cliente tivesse de fato cometido assassinato, seria mais do que capaz de se livrar de qualquer indício do crime. Mora sozinho. Tinha treze ou catorze horas livres antes de ir ao escritório na manhã seguinte. Nesse período, poderia ter se livrado do corpo, desinfetado a cena do crime, arrumado um álibi. Caramba, poderia até ter convidado doze pessoas para jantar no Spago, e ainda assim teria tempo de se livrar dos indícios e pagar um avião para Guadalajara. – Caine prosseguiu após uma pausa: – O que a polícia está afirmando? Que ele matou essa moça, deixou-a em cima da própria cama e enterrou a pistola no jardim a 5 metros da porta da própria casa, é isso? Não faz sentido algum, Vossa Excelência. Se ele queria pegar um avião para o México, por que não o fez?

Caine enfim concluiu:

– Porque Jack Morgan não matou Colleen Molloy. Ele chamou a polícia e cooperou integralmente com as investigações. Esses são os atos de um homem inocente.