Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 122
A RELUTÂNCIA DE TANDY ERA PALPÁVEL quando ele se preparava para me informar sobre os fatos relativos ao assassinato de Clay Harris. Se Tandy considerava Tommy suspeito do crime, era possível que meu irmão tivesse deixado algum rastro.
O silêncio recaiu sobre a sala de depoimento, quebrado apenas pelos leves estalos de Len Ziegler puxando o elástico em volta do pulso. Tandy se recostou na cadeira, tentando passar uma falsa impressão de descontração.
Por fim, começou a falar:
– Tommy foi detido por excesso de velocidade na noite em que Clay Harris foi morto. Estava dirigindo um Lexus LX 570 de propriedade da vítima. Havia bebido. Não conseguiu explicar aos agentes da polícia rodoviária por que estava com o carro de Harris. Também não soube dizer onde estivera nas horas anteriores e o que estava fazendo em Canyon Country.
A última vez em que eu tinha visto meu irmão fora em frente à casa de Harris. A polícia estava a caminho. Ele deve ter entrado de novo na casa para pegar a chave do Lexus. Que burrada, Tommy. Tremenda burrada.
– Por enquanto, Tommy está detido por dirigir embriagado e por posse de veículo roubado – disse Tandy. – Mas ainda não acabamos.
Por uma fração de segundo, a expressão de Tandy se iluminou e pude ler seus pensamentos como se fossem uma manchete de jornal. Ele estava revoltado por não ter nada contra mim.
Talvez também tenha conseguido ler a minha expressão.
Não tinha nada contra mim. Nada.
Dentro da minha cabeça tudo era festa. Eu tinha um sorriso de orelha a orelha e fazia a dancinha da vitória junto à linha do gol. Rolhas estouravam e champanhe escorria pelo meu rosto. Os fãs se levantavam nas arquibancadas e aplaudiam, e eu era erguido no ar.
Caine ostentava sua expressão de serenidade como se fosse um terno feito sob medida, mas sua pálpebra direita estremeceu. Era uma piscadela, somente para mim.
Levantei-me e disse:
– Inspetores, foi um prazer. Estou atrasado para uma reunião.
Saí da delegacia com meu advogado. Não precisava mais temer retornar para o Twin Towers e passar um ou dois anos sendo humilhado no tribunal antes de ser trancafiado em Lompoc, com uma pena que poderia ir de 25 anos à prisão perpétua.
Estava livre outra vez.
– Porra, Jack, diga alguma coisa.
Dei um tapinha no ombro de Caine e sorri para ele.
– Que dia feliz, Eric. Ah, que dia feliz.