Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 75
– DÊ A VOLTA NO CHALÉ – disse Del Rio. – Encontro você lá daqui a um minuto.
Ele tentou a maçaneta, que girou com facilidade na sua mão. A porta se abriu e, apontando a lanterna para dentro da casa, ele entrou.
Correu a lanterna pelo cômodo principal e avaliou a situação. A casa era um daqueles chalés com decoração de revista: tapetes de índios norte-americanos no piso de terracota, mantas e almofadas de cores vivas sobre sofás de couro em frente à lareira.
Brasas ardiam atrás da grade. Ele viu garrafas de vinho vazias no chão e vasos de flores silvestres nos parapeitos das janelas.
– Tem alguém em casa? – chamou.
Não obteve resposta.
Havia uma luz na cozinha rústica – mais um cômodo com decoração profissional, revestido de ladrilhos mexicanos coloridos. Panelas e frigideiras pendiam de ganchos de ferro presos nas vigas do teto. Havia louça na pia e pratos com restos de bolo de chocolate sobre a bancada.
Ele podia imaginar Danny e Piper refugiados naquela casa.
Encontrou o quarto no final de um corredor curto. A cama king size era feita de troncos de bétulas ainda jovens e ocupava a maior parte do cômodo. Ele reparou nos lençóis amarfanhados, nos travesseiros caídos entre a cama e a parede e na colcha de retalhos embolada no chão.
O vestido sem mangas de Piper, o mesmo que ela estava usando na cena do filme naquele dia, estava pendurado no encosto de uma cadeira. Roupas íntimas femininas cobriam o assento e sob a cadeira havia um par de sapatos sem salto.
Não era preciso ser nenhum gênio para constatar que alguém havia transado naquele quarto. Na realidade, a casa inteira parecia ter sido palco de uma farra ininterrupta. Pena que Piper tivesse 16 anos, e Danny, 24.
Del Rio prosseguiu seu rápido tour pelo chalé. O banheiro estava vazio. Toalhas úmidas pendiam da barra da cortina do boxe. Ele abriu os armários e encontrou roupas e sapatos casuais masculinos.
Aliviado por não encontrar manchas de sangue nem qualquer outro sinal de violência, Del Rio voltou à cozinha e saiu pela porta dos fundos.
O deque mobiliado com uma churrasqueira portátil e cadeiras confortáveis se projetava acima do cânion que dava nome ao bairro. Para além do deque, um pontinho de luz se agitou em uma trilha e logo foi ocultado por um adensamento de árvores.
Del Rio desceu os degraus até a trilha que cortava a vegetação baixa entremeada de árvores. Andou depressa até alcançar Justine, abaixando-se para passar pelos galhos.
Quando tocou seu ombro, ela se virou para trás, assustada.
– Rick. Encontrou alguma coisa?
– Parece que as crianças estavam se divertindo. Nada mais.
– Como Danny pôde ser tão burro?
– Ligue para ele. Agora – falou Del Rio.
Justine ligou.
– Danny! Danny, cadê você? É a Justine!
Sua voz ecoou pelo cânion.
– Escute – disse Del Rio.
Ele ouviu uma voz de homem dizer:
– Estou aqui! – A voz vinha da trilha mais adiante.
Eles então ouviram o barulho de portas de carro batendo mais atrás, no chalé.