Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 102 de 135

Páginas do PDF

Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 99

 

TOMEI UM RED BULL NA copa enquanto esperava o café ficar pronto. Pensei em algumas respostas possíveis para Justine – em sua maioria, motivos pelos quais ela devia perdoar meu último e totalmente não premeditado encontro de despedida com Colleen.

Eu sou humano. Sinto muito. Não poderia estar mais arrependido.

Por que ela não conseguia me perdoar?

Fui até minha sala, liguei o laptop, abri os arquivos da pasta “Colleen” e repassei os acontecimentos que minha ex-namorada nunca mencionara.

Fato 1: assim que saíra do ensino médio, Colleen se casara com um homem chamado Kevin Molloy. O casamento fora anulado seis meses depois, mas Colleen mantivera o nome de casada. Durante nosso ano de namoro, ela não citara o ex-marido uma vez sequer.

Será que Molloy a havia seguido até os Estados Unidos?

Será que ele ainda a amava?

Fato 2: a passagem de Colleen para os Estados Unidos em 2009 fora paga por um executivo chamado Sean McGough. Ele ainda morava em Dublin e fazia três anos que não saía da Irlanda. O que McGough representava para Colleen? E por que ela também não o mencionara?

Fato 3: Mike Donahue. Colleen dissera que Mike era como um tio para ela. Assim como fizera com Molloy e McGough, eu havia passado o pente-fino na vida de Donahue. Ele obtivera a cidadania americana em 2002. Levara duas multas por dirigir embriagado em Los Angeles e uma terceira em Seattle, onde sustentava um menino de 7 anos. Não havia se casado com a mãe da criança.

Se Donahue quisesse matar Colleen, teria sido fácil. Ela confiava nele. Eu nunca desconfiara de que os dois tivessem tido um caso, de que ele tivesse ciúme dos sentimentos dela por mim. Para mim ele era apenas um cara com pinta de tio dono de um pub irlandês que Colleen frequentava quando morava em Los Feliz. Aquela pista era um beco sem saída.

Abri outra pasta.

Eu tinha reunido todos os e-mails pessoais que eu e Colleen havíamos trocado, desde o primeiro dia em que a beijara. Passei algum tempo revisitando o passado e me perdi lendo as nossas palavras, lembrando-me do romance que crescia no escritório, de todas as vezes que tínhamos transado em seu chalé coberto de rosas.

E lembrei-me do telefonema de Donahue. “Venha rápido para o hospital.” Lembrei-me de Colleen com ataduras ensanguentadas em volta dos pulsos. De como foi ficar sabendo o que ela havia feito consigo mesma depois de eu terminar nosso namoro.

Levantei-me, andei pelo corredor, fiz mais café e fiquei olhando a Figueroa Street pela janela. A chuva havia se afastado. Voltei à minha mesa e cliquei na pasta de arquivos de vídeo.

Já havia assistido a todos os vídeos armazenados ali, menos o que Mo-bot gravara quando Tandy e Ziegler me conduziram como se eu fosse um criminoso até o carro estacionado no meio-fio.

Obriguei-me a rodar o vídeo e assisti a mim mesmo a partir da perspectiva de Mo-bot, no segundo andar.

Ali estava eu, minutos depois de ser arrancado da reunião de acionistas da Private, cambaleando entre Tandy e Ziegler sob o sol ofuscante. Jornalistas gritavam perguntas e eu mantinha a cabeça baixa.

Assisti a cada quadro – e vi uma coisa que não tinha notado naquele dia. Corrigindo. Vi alguém. Clay Harris.

Clay Harris era uma herança da família Morgan, uma herança não exatamente inofensiva, quase uma maldição familiar.

Aquilo não podia ser coincidência.

Harris morava em Santa Clarita, a uns 30 quilômetros da cidade. Apesar disso, ali estava ele, em pé no meio da confusão de jornalistas, com uma visão muito boa de mim.

Por que Harris estava espreitando em frente à Private na hora em que eu era preso pelo assassinato de Colleen? Ele estava sorrindo, e eu imaginava saber por quê.