Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 77
DEL RIO ESTAVA ARRANHADO E abalado, mas não havia batido em nada durante a queda. Descansou por alguns instantes, depois se levantou e foi buscar a lanterna, que milagrosamente ainda funcionava. Bufando, avançou pelo terreno pedregoso e se aproximou de Piper Winnick.
Ela estava deitada de costas, com os braços abertos feito asas quebradas. A camisola branca de algodão, rasgada e suja, estava levantada até os seios, deixando à mostra a calcinha. Ela calçava apenas um sapato, o par da sapatilha que Danny segurava.
Del Rio sabia que Piper estava morta, mas mesmo assim se agachou ao seu lado e levou a mão ao pescoço dela.
Não encontrou pulsação. Encostou o ouvido em seu peito. Nada. O corpo ainda estava morno. Ele não queria aceitar aquele fato, mas Piper estava morta e isso era uma desgraça. Não havia outra descrição possível.
Quis endireitar os membros da menina, cobrir seu corpo e fechar seus olhos – atitudes que contaminariam a cena do crime, algo que aquilo ali quase certamente era.
Iluminou o rosto de Piper e foi seguindo o sangue seco até um ferimento na têmpora. Viu então que o crânio estava esmagado, afundado.
Usou a lanterna e a câmera do telefone para registrar o traumatismo, o hematoma no braço, os arranhões nas coxas, o sangue que escorria pela pele clara: indícios de que Piper estava viva quando caiu do penhasco.
Mirou a lanterna no paredão e viu dezenas de pedras grandes. Qualquer uma delas poderia ter partido a cabeça de Piper.
Danny. Maldito garoto.
Não bastava transar com menores de idade. Ele tinha evoluído para a agressão física. Será que Piper havia tentado fugir, tropeçado e caído? Ou será que Danny a empurrara daquele barranco de propósito?
Lembrou-se de Piper naquela manhã, cheia de vida. Ainda podia vê-la usando o vestido amarelo e segurando o chapéu, repetindo suas falas com um sotaque italiano e aquela voz de menina. Lembrou-se da expressão de alegria em seu rosto ao entrar na Ferrari veloz junto com Danny.
Tentou se lembrar da expressão de Danny ao pisar fundo no acelerador, mas não conseguiu. Estava olhando para Piper nessa hora.
Imaginou-se batendo em Danny, arrancando-lhe os dentes, quebrando os ossos daquele rostinho bonito demais. Tinha 20 anos a mais que o rapaz, mas ainda conseguiria fazer um bom estrago em um fracote de merda feito aquele.
Levantou-se do chão. Encarou o corpo de Piper com lágrimas nos olhos. Os últimos minutos dela tinham sido de puro medo e dor. Uma menina tão legal.
– Você estava tendo um bom dia, Piper. Uma vida boa. Sinto muito por isso ter acontecido com você.
Del Rio abriu o celular e ligou para Justine.