Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 41
SCOTTY FOI O ÚLTIMO A sair pela porta dos fundos. Viu uma cesta de basquete montada bem alto em uma parede perpendicular ao prédio ao lado. O asfalto do pátio ainda tinha linhas demarcando as vagas de estacionamento.
Uma bola de basquete passou voando por seu campo de visão e entrou na cesta.
– É isso aí! – gritou alguém.
Era um homem de quase 1,80 metro, cabelos castanhos curtos, sem camisa, com uma tatuagem de arame farpado em volta do bíceps direito. Estava sorrindo, triunfante, e parecia ter 22 anos.
Schuster explicou que o rapaz que agora estava com a bola era Rory Kovaks, amigo de escola de Danny em Nebraska. Os dois tinham sido criados juntos e Rory se mudara para Los Angeles para fazer companhia a Danny.
Schuster apontou para Alan Barstow, agente de Danny na Creative Talent Management, uma agência de talentos com clientes de primeira linha. Barstow era um homem de 30 e poucos anos, magro e de estatura mediana.
Por último, indicou Randy Boone, assistente de Danny, e Kevin Rose, instrutor de luta do ator, todos integrantes do entourage de Whitman.
– Intervalo, galera! – gritou Schuster. – Temos visita.
A bola entrou na cesta com um zunido e quicou no asfalto até ir parar na grama, onde os quatro jogadores se reuniram. Schuster disse a eles que Justine e Scotty trabalhavam na Private e haviam sido contratados para administrar a crise.
Alguns continuaram em pé e outros se sentaram no chão enquanto Schuster passava a palavra a Justine. Scotty se manteve afastado, apenas observando.
Justine cumprimentou todos e se apresentou como investigadora sênior da Private.
– Os tabloides estão de olho em qualquer coisa que possam explorar – disse ela. – Katie Blackwell, a moça de que estamos falando… Bem, os pais dela também devem ter contratado investigadores particulares. É possível que eles estejam seguindo Danny e qualquer pessoa que tenha relação com ele, só esperando um pequeno deslize que possam exagerar, vender para os jornais e usar para macular a carreira de Danny.
Observou-os e continuou:
– É fundamental para Danny, e para todos vocês, baixar um pouco a bola das festinhas até depois do julgamento. Isso significa nada de drogas, nada de bebida e, principalmente, nada de garotas.
– Ah, claro… E também nada de comer de boca aberta nem entrar descalço neste estabelecimento – zombou Kovaks.
Rose, o instrutor de luta, interveio:
– Dra. Smith, sem querer ofender, mas a gente não precisa de uma investigadora particular para encher o nosso saco. Sério. – Virando-se para Larry Schuster acrescentou: – Você só pode estar de brincadeira.
Scotty observava Justine, que sorria com os dedos entrelaçados na frente do corpo.
– Sr. Rose, ou está todo mundo no mesmo barco ou nada feito – disse ela. – Se não concordarem com as nossas condições, vamos embora com a consciência tranquila. Sem problemas.
Scotty viu que o caso começava a desandar. Não era de forma alguma o que ele queria.
Dirigindo-se aos chatos reunidos em torno da quadra de basquete, falou:
– Que história é essa? Danny Whitman precisa da ajuda de vocês. Se não me engano, ele está sendo acusado do estupro de uma menina de 14 anos. Vocês estão a fim de ajudar? Ou será que são uns parasitas que só estão aqui para sugar o sangue dele?