Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 108
EU ESTAVA AO LADO DE Jinx diante do Quarto Fellini, no segundo andar, na parte da frente do hotel. Não era a melhor localização nem o quarto mais caro, mas o acesso era fácil pela escada que subia do lobby.
O rapaz abalado ao nosso lado no corredor era o gerente, “Sr. Knowles”. Tinha o rosto vermelho, seu lábio inferior tremia e seus olhos estavam inchados.
Olhei para o quarto atrás dele e vi uma cena de crime horripilante o suficiente para perturbar um jovem rapaz formado em hotelaria. Também fiquei perturbado, mesmo com minha experiência, que incluía uma guerra.
Um homem jazia morto, metade em cima da cama, metade no chão. Um garrote caseiro feito de fio e dois cabos de madeira fora apertado com tanta força em volta do seu pescoço que seccionara uma artéria. Sangue havia espirrado sobre a cama desfeita antes de ele morrer.
– O nome dele é Albert Singh – informou Knowles. – Fez o check-in à uma da manhã. A luz de “Não perturbe” passou o dia inteiro acesa. Nada foi cobrado na sua conta.
O Sr. Singh parecia ter uns 20 e poucos anos e estava de cueca e camiseta branca. Usava uma aliança de casamento no anular da mão estendida.
– Sra. Poole, eu disse que a esperaria chegar e agora a senhora está aqui – dizia Knowles. – Para mim chega, Sra. Poole. Aqui estão minhas chaves e meu crachá. Vou devolver o uniforme, mas preciso passar em casa…
Toquei-lhe o braço, interrompendo seu discurso de despedida.
– Sr. Knowles. Meu nome é Jack Morgan, da Private. Eu trabalho para a Sra. Poole. Converse comigo um instante. Conte o que aconteceu.
A voz dele parecia um guincho.
– E eu sei? A arrumadeira bateu na porta. Ninguém respondeu. Ela entrou e encontrou isso.
Os hotéis antigos, mesmo aqueles reformados segundo os mais altos padrões de exigência, não tinham sido projetados pensando em segurança moderna. Como das outras vezes, o assassino devia ter se esquivado das câmeras. Na realidade, talvez fosse impossível adaptar aquele hotel a todas as exigências de segurança e ainda assim mantê-lo funcionando.
Supondo que o Sr. Singh fosse igual aos outros cinco homens mortos daquela forma, minha teoria era que ele havia contratado uma prostituta. Em algum momento depois de ela ir embora, ele deixara o assassino entrar no quarto. Talvez fosse um chofer de limusine se fazendo passar por um segurança ou por um funcionário do hotel encarregado de verificar um vazamento. A maioria dos hóspedes teria deixado entrar um homem assim.
A polícia estava investigando o caso e nós não tínhamos atrapalhado seu trabalho, mas também não havíamos ajudado. Tínhamos uma teoria que ainda precisava ser provada, mas praticamente nada além disso.
Assim como Knowles, minha vontade era jogar a toalha. Eu estava arrependido de ter aceitado o caso. Lamentava ter decepcionado Jinx.
– Jinx, temos que chamar a polícia – falei.
Ela pressionava o punho fechado por cima da boca. Não tinha certeza se ela havia me escutado. Saquei meu celular e chamei a polícia.
Em seguida liguei para Del Rio.
– Eu ia mesmo ligar para você – disse ele. – Temos uma novidade quentíssima sobre o matador de clientes de putas. Venha logo para cá, Jack. Precisamos que converse com uma pessoa. Uma pessoa que precisa ser convencida.