Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 19 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 16

 

COM EXCEÇÃO DOS ATERROS SANITÁRIOS, quartos de hotel são o pior lugar do mundo para se recolher indícios forenses. Mesmo nos estabelecimentos cinco estrelas haverá DNA, fibras e impressões digitais de algumas centenas de hóspedes anteriores.

Mas valia a pena tentar.

Carl Mentone, um geek especialista em alta tecnologia conhecido na Private como Kid Camera, operava no laptop o programa Delta, que mapeava a Suíte Bergman de todos os ângulos possíveis. Meu laptop ganhou vida e começou a exibir em streaming um vídeo em alta resolução enviado por satélite até o meu escritório.

Conseguia ver Sci, Del Rio e Emilio Cruz entrarem no quarto como se eu estivesse na soleira da porta, e Kid me proporcionou um tour virtual do que seria uma noite de 1.500 dólares em um hotel de Beverly Hills.

Cortinas de seda dourada emolduravam as janelas. Móveis confortáveis se agrupavam em volta de uma mesa de mogno e obras de arte enfeitavam as paredes. As luminárias estavam em pé, as almofadas todas no lugar. Não houvera luta. O que, então, tinha acontecido ali?

Ao lado da escrivaninha, parecendo uma escultura particularmente grotesca, estava o cadáver.

Sci se abaixou junto ao corpo de um homem branco vestido com uma calça escura e uma camisa branca desabotoada. Os cabelos exibiam um corte impecável. Ele usava aliança. No pulso, uma faixa branca marcava o lugar onde antes ficava um relógio.

Sci examinou o pescoço do morto.

– Garrote – disse. – Um fio de cobre fino revestido, do tipo que se encontra em lojas de ferragens. A vítima tentou se soltar com as mãos, mas não conseguiu.

– Algum documento de identidade?

– A carteira não está com ele – respondeu Sci.

Cruz se aproximou da câmera e disse:

– Nenhum problema com a fechadura, Jack. Ou a vítima deixou o assassino entrar ou ele tinha uma chave. Tem uma garrafa de Chivas aberta em cima da mesa com dois copos. Restos de uísque no fundo.

– Vamos até o quarto – falei.

Kid foi na frente e colocou o laptop em cima de uma mesa. A qualidade das imagens que eu estava recebendo era tão boa que pude ver a trama da colcha de jacquard embolada no chão. Havia também travesseiros caídos no carpete. Os lençóis estavam embolados ao pé da cama.

– Isso está com cara de sexo – comentou Kid.

Sci pousou o kit de investigação no chão e começou a trabalhar passando sobre os lençóis com uma fonte de luz forense com comprimentos de onda variáveis.

– Tem razão. Alguém transou aqui – comentou.

– Também não tem nenhuma carteira aqui – disse Cruz, vasculhando uma pequena pilha de objetos pessoais sobre a mesa de cabeceira. Caneta esferográfica, moedas, as chaves de um carro alugado.

Kid levou a webcam até o banheiro. Vi um calção de banho e óculos de natação pendurados em um gancho atrás da porta, uma nécessaire em cima da bancada, toalhas jogadas no chão.

Emilio Cruz se sentou na privada fechada e falou para a câmera:

– Jack. O assassino estava calmo, talvez fosse profissional. Não há sinal de luta. Como eu disse, o cara deixou o assassino entrar. Tomou um drinque com ele e depois talvez tenha dito ou feito alguma coisa que deixou o cara puto. O assassino veio por trás e o estrangulou. Bingham não teve a menor chance.