Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 41 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 38

 

SETE ANOS ATRÁS, QUANDO VOLTEI da guerra, fui fazer terapia com um cara excelente chamado Josh Moskowitz, especializado em veteranos como eu. Ou seja, ex-combatentes que tinham passado pelo fogo dos infernos e não estavam conseguindo se adaptar muito bem à vida civil.

Como muitos de nós, eu tinha acessos de pânico noturnos.

Não parava de ouvir os gritos dos rapazes que estavam na parte de trás do CH-46 enquanto o helicóptero bombardeado pegava fogo.

O Dr. Moskowitz tinha um consultório em Santa Monica, uma salinha em um edifício alto da Fifteenth Street. Na época eu não sabia, mas a Dra. Justine Smith trabalhava no mesmo prédio.

Esbarrei com ela no elevador certa noite e fiquei paralisado de um jeito que não se pode explicar só descrevendo seus cabelos, seus olhos, suas curvas. Subi dez andares com os olhos fixos nela até me dar conta de que o elevador não estava descendo.

Ela deve ter rido de mim, ou talvez tenha apenas gostado de me ver passar de zero a apaixonado em 60 segundos. Na vez seguinte em que a vi, segurei a porta do elevador para ela, disse-lhe meu nome e a convidei para jantar.

Ela aceitou.

Foi como se ela houvesse agarrado meu coração com as duas mãos.

Justine era uns dois anos mais nova do que eu e talvez uma década mais experiente. Linda. Inteligente. Trabalhava em um hospital psiquiátrico na maior parte da semana e tinha um consultório particular no qual atendia uns poucos pacientes às segundas e quartas.

Jantamos em um restaurantezinho italiano em Hermosa Beach e passei o tempo inteiro falando. Contei-lhe mais coisas a meu respeito durante esse único jantar do que lhe contei desde então. Senti que ela era uma pessoa segura, confiável, compreensiva, e ela deve ter pensado que eu era o tipo de pessoa capaz de se abrir.

Mais tarde ela disse que eu tinha virado uma ostra. Uma ostra com um elástico em volta da concha. Eu ri e falei que ela enfim estava me conhecendo de verdade, como eu era quando não estava em crise. No dia em que tivemos essa conversa, já estávamos apaixonados.

Agora, sentada em uma cadeira de couro, Justine girava devagar para um lado e para o outro. Dei a volta na mesa e sentei-me ao seu lado. Sua expressão era dura.

Ela estava muito brava comigo.

– Recebi uma proposta de emprego – falou. – Uma proposta boa.

– Não demorou muito.

– Vou terminar meus casos, inclusive o novo, se nós o pegarmos mesmo. Ainda não dei a resposta, mas é só uma questão de negociação. Provavelmente vou aceitar.

– Justine, eu sei que é pedir muito, mas tente imaginar que, na verdade, eu sou inocente. E tente imaginar que nunca precisei tanto de você quanto agora.

– Está bem, Jack. Agora tente você imaginar o seguinte: eu não ligo mais para nada disso.