Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 51
MITCH TANDY ANDAVA EM VOLTA da casa à procura de qualquer coisa fora do lugar. Queria encontrar algo tangível que vinculasse Jack Morgan ao assassinato de Colleen Molloy.
Pensou na investigação sobre o caso do jogador de futebol americano O. J. Simpson, na luva encontrada perto do limite da propriedade do acusado. Apesar de ser uma prova conclusiva, a luva, graças a uma assustadora incompetência da acusação, acabara ajudando a defesa.
Se não colar, é preciso deixar passar.
O caso de Simpson havia sido a vergonha do Departamento de Polícia de Los Angeles.
Pouco importava. Eram águas passadas.
Dez agentes da unidade de homicídios estavam passando o pente-fino na praia. Mergulhadores vasculhavam as águas rasas à procura de metal. Do lado de dentro, equipes especializadas em cenas de crime davam mais uma verificada na casa.
Jack Morgan era esperto, mas não era perfeito. Se ele tivesse deixado escapar alguma coisa em sua faxina da cena do crime, Tandy tinha certeza de que iriam encontrar e indiciá-lo.
Ouviu Ziegler chamar seu nome.
– Estou aqui – respondeu.
Ziegler foi encontrar Tandy junto ao muro que separava a casa de Jack Morgan da Pacific Coast Highway.
– Alguma coisa? – perguntou Tandy.
– Não.
– Ele deixou sêmen dentro dela – comentou Tandy. – Não usou nem camisinha. Isso é um comportamento arriscado. Suicida até.
– Ou então a porra é do irmão dele.
Os dois já haviam conversado sobre isso. Sobre a complicação de investigar irmãos gêmeos com DNA idêntico. Era o tipo de coisa que podia insinuar uma “dúvida razoável” na deliberação de um júri. Haviam interrogado Tommy e ele tinha um álibi para a noite do crime. A esposa afirmou que ele estava em casa. Afirmou não: jurou. De pés juntos.
Mesmo assim, ela poderia estar mentindo.
– Tommy ou Jack. Um dos dois é culpado. E só Jack tem motivo.
– O que é aquilo ali? – perguntou Ziegler.
– Aquilo o quê?
Ziegler apontou para um trecho de cobertura remexido na base de uma buganvília sob a sombra da cerca.
Tandy usou o pé para afastar as lascas de madeira.
Por um longo instante, os dois apenas olharam.
– Vou pegar a câmera – disse Ziegler.
Tandy assentiu, abaixou-se e continuou a encarar o solo. Aquela era a prova de que precisavam. A excitação que sentiu foi indescritível. Era por isso que, apesar de todos os procedimentos intermináveis, todos os becos sem saída e toda a chateação burocrática, adorava ser policial.
Por causa de momentos como aquele.
O imbecil tinha deixado a arma do crime para trás.