Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 121 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 118

 

ESTÁVAMOS INVADINDO UMA PROPRIEDADE PARTICULAR.

Se eu chamasse Harris e ele quisesse me dar um tiro, poderia mirar segundo a minha voz e me acertar. E não teria infringido a lei.

Joguei-me no chão e rastejei pelo quintal até a lateral da casa apoiado nos cotovelos, fora do alcance de um tiro.

De costas para a parede, passei por pilhas de quinquilharias e pela vegetação rasteira até chegar à porta dos fundos.

Segurando a pistola com as duas mãos, usei o pé para empurrar a porta. Dobradiças rangeram e entrei no vestíbulo. Esperava ser alvejado ou pelo menos interpelado, mas não escutei nada.

Havia uma luz acesa no centro da casa e avancei nessa direção. Usando a parede como guia, segui em frente, passando por roupas penduradas em ganchos, pilhas de jornais e torres de engradados de cerveja vazios. Clay Harris era uma dessas pessoas que não jogam nada fora.

O vestíbulo dava para uma cozinha pequena e estreita. Havia panelas e frigideiras empilhadas sobre a mesa e na pia. O lixo fedia. Uma porta na parede oposta conduzia a uma sala de jantar.

Dei a volta em uma mesa coberta por pilhas de caixas com pastas de documentos e porcarias acumuladas e continuei avançando em direção à luz que emanava da sala. Espiei pelo canto para dentro do cômodo maior.

Clay Harris estava de costas para mim. Ainda segurando a arma, tinha as mãos erguidas acima da cabeça. Estava de frente para o meu irmão, que segurava a pistola apontada para o seu peito.

– Tom – dizia Harris. – O que você está fazendo? Que burrice. Eu não vou dizer nada sobre a tal garota.

Entrei no cômodo, segurando minha própria pistola com as duas mãos.

– Clay, largue a arma! – gritei.

Harris se virou, me viu e disse:

– Merda. – Em seguida jogou a arma em cima de uma poltrona.

No instante em que a arma caiu no assento, Tommy disparou dois tiros em rápida sucessão. Harris levou as mãos ao peito.

– Merda – disse ele, antes de cair de joelhos e desabar de cara no chão.

Fui até ele e levei uma das mãos ao seu pescoço.

Não havia mais pulsação.

– Pelo amor de Deus, Tommy. Eu queria falar com ele.

Tommy tornou a guardar a pistola no cós da calça.

– Sinto muito por você, sério mesmo – disse meu irmão. Procurou as duas cápsulas de bala, apanhou-as e as guardou no bolso da frente da calça jeans. – As coisas nem sempre saem como a gente quer. Você queria falar com Clay e agora ele está morto.

Levantei-me e fiquei de frente para o meu irmão.

– Você acha que eu não entendo o que acabou de acontecer aqui?

– Foi legítima defesa, Jack. Essa é a verdade. Mas acho que você nunca vai ter certeza. Será que eu atirei nesse traste porque ele ia atirar em mim? Ou porque ele ia me entregar?

Tommy estava zombando de mim, transferindo o peso do corpo de uma perna para a outra e movendo as mãos para cima e para baixo como se fossem os pratos de uma balança.

Ele prosseguiu:

– Será que Harris era um louco perigoso e armado? Ou ele iria contar a você que eu o contratei para matar Colleen?

Encarei Tommy, depois tornei a olhar para o corpo de Clay Harris. Em sua mão direita, entre o polegar e o indicador, havia uma mordida feia. A mordida fora tão forte que deixara a marca nítida de uma arcada dentária, um hematoma preciso no ponto em que os dentes haviam se cravado.

Tirei do bolso um lenço, a ferramenta básica número um de qualquer investigador. Sempre de olho em Tommy, usei-o para pegar o telefone de Harris.

Disquei 911.