Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 127 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 124

 

CHEGUEI EM CASA POR VOLTA das nove da noite, ainda ligado por causa do excesso de adrenalina e da falta de sono.

Tranquei a porta da frente depois de entrar, percorri a casa e verifiquei as janelas, fui até a estação dos monitores de segurança, agora melhorada, e assisti às gravações da porta da frente e dos fundos rapidamente. Não vi ninguém no acesso de carros nem chegando perto do deque pela praia, e o registro mostrava que o alarme não havia disparado.

Examinei os telefones e o interior e, até onde pude ver, minha casa não estava grampeada.

Na geladeira havia pouco mais que uma caixa de cerveja. Abri uma Molson e tomei metade em um só gole. Fiz uma pausa, depois esvaziei a garrafa.

Saber que Tommy estava detido deveria ter me proporcionado alívio suficiente, mas mesmo assim verifiquei novamente todas as trancas das janelas, as portas de correr e a porta da frente.

Então tirei as roupas e as deixei espalhadas pelo chão.

A ducha múltipla ficava no banheiro da suíte principal, e fui para lá. A água saiu quente, revigorante. Comecei a pensar que estava finalmente pronto para voltar ao meu quarto e dormir em minha nova cama com lençóis novos.

Se não conseguisse dormir no meu próprio quarto, caramba, iria vender aquela casa.

Então tentei.

Fui até o quarto, verifiquei mais uma vez o cômodo e olhei para a cama. Fiquei olhando por um minuto inteiro e tudo o que vi foi uma cama, não uma imagem ruim de Colleen caída ali, morta.

Pelo menos na minha cabeça Colleen havia descansado.

Abri as cobertas e liguei a televisão.

Fui zapeando, encontrei um canal a cabo de notícias 24 horas e, quando vi um apresentador em pé diante de várias luzes vermelhas e azuis piscando, larguei o controle remoto.

O nome do repórter e a logomarca do canal permaneciam na tela: “Matt Galaburri, CNN”. Em letras menores mais abaixo estava escrito: “Agência de Repressão a Entorpecentes intercepta carregamento de drogas do crime organizado no valor de 30 milhões de dólares em Renton, Washington. Quatro homens foram presos.”

Aumentei o volume.

Tudo acontecera como eu esperava, mas queria ouvir os detalhes para ter certeza de que a Private ficaria de fora.

O repórter, muito animado, não parava de virar a cabeça enquanto falava, tornando metade do que dizia incompreensível. Estava olhando para uma van branca cercada por agentes da lei, tanto em veículos civis quando em viaturas oficiais identificadas nas laterais pelas iniciais DEA, Drug Enforcement Administration.

O local era um estacionamento em frente a um armazém que, a julgar pelo ângulo da câmera, parecia situado à beira de uma autoestrada. O armazém era uma daquelas construções quadradas sem qualquer característica marcante pelas quais passamos a caminho de algum lugar e que desaparecem para sempre da lembrança.

O jornalista dizia: “O que vocês podem ver atrás de mim é a cena resultante de uma das maiores apreensões de drogas dos últimos anos. Um porta-voz da DEA disse à CNN que um carregamento de entorpecentes no valor de dezenas de milhões de dólares foi apreendido e quatro homens foram presos, todos conhecidos pelos fortes vínculos com o crime organizado.”

Ele então explicou o contexto, como a van havia parado para transferir o carregamento em um armazém ao sul de Seattle e como o armazém vinha sendo vigiado havia um ano.

O vídeo então cortou para imagens gravadas anteriormente por uma câmera montada no painel de um veículo da DEA. A cena era iluminada por faróis.

Quatro homens apareciam rapidamente descarregando uma van branca com um decalque de legumes e verduras na lateral. Uma fração de segundos depois, chegavam as viaturas cantando pneus.

Ouviam-se gritos e os policiais rendiam os quatro homens a pé. Dois deles saíam correndo, dois erguiam as mãos. Os agentes de segurança pública mandavam todos os homens se deitarem no asfalto e os algemavam.

O vídeo tornava a cortar, dessa vez para um homem de terno em pé atrás de um pódio no qual se podia ver uma insígnia oficial. As letras na parte inferior da tela identificavam o homem como Brian Nelson, diretor da DEA.

Ele falou para as câmeras: “Os agentes envolvidos nessa operação salvaram muitas vidas hoje…”

Meu telefone tocou e tive que arrancar os olhos da tela. O identificador de chamadas informava o nome de Fescoe. Que diabo ele quer agora?, pensei enquanto atendia.