Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 101
SCOTTY PASSOU UMA DAS PERNAS por cima da mureta baixa na borda do telhado, içou o próprio corpo e estendeu a mão para ajudar Cruz. Fez o mesmo com Del Rio, que rolou sobre o piso impermeabilizado.
– Abaixem-se – disse Del Rio.
Os três se abaixaram atrás da mureta até recuperarem o fôlego e se situarem melhor.
Del Rio contou uns dois minutos em silêncio, depois se levantou e localizou os fios de eletricidade que iam do poste na Anderson até o telhado e os cortou com seu alicate, causando um blecaute no armazém.
O alarme estava agora desligado, assim como os sensores de presença, o telefone de emergência e todo o resto. Para sua surpresa, no entanto, o alarme tornou a disparar quase na mesma hora.
Espantado, Del Rio se abaixou por puro reflexo e disse aos outros:
– Bateria de segurança. Do alarme. Deve ser sem fio.
– Vamos sair daqui – disse Cruz.
O alarme então cessou abruptamente.
– Foi a Bosco que desligou – disse Del Rio. – Eles devem ter achado que já bastava de barulho por hoje. Emilio, está tudo bem. Vamos ficar aqui. Para ter certeza absoluta de que ninguém vai aparecer.
Após dez longos minutos, Del Rio se levantou, afastou-se 5 metros do canto que dava para a Anderson, tomou aproximadamente a mesma distância da Artemus, sacou da bolsa a serra Sawzall a bateria de 18 volts e a ligou.
A ferramenta fazia um pouco de barulho, mas não o suficiente para acordar algum cão de guarda do bairro ou chamar a atenção de alguém que passasse de carro.
Scotty e Cruz aguardaram enquanto Del Rio serrava o material impermeabilizante, as velhas camadas de asfalto que revestiam o telhado, o compensado mais embaixo e uma placa de gesso que apresentou pouca resistência.
O revestimento do telhado caiu pelo buraco e desabou com alarde. Os três escutaram o silêncio que se seguiu, e Scotty então abriu sua bolsa de gadgets.
Pôs a lanterna de mineiro em volta da cabeça e pegou 10 metros de corda de polietileno de uma polegada, do tipo usado em navios. Amarrou uma ponta em uma chaminé de tijolo, deu alguns nós no restante e preparou-se para entrar no buraco.
– Vá devagar – disse Del Rio, e Scotty sorriu, animado por uma energia nervosa.
Esticou bem a corda cheia de nós, em seguida desceu do telhado até a sala do forno, onde eram assados os vasos de cerâmica. Del Rio foi atrás e Cruz desceu por último.
Assim que seus pés tocaram o chão, Cruz foi até o escritório da fábrica e encontrou, ao lado da caixa de luz, a bateria de segurança do alarme. Removeu as pilhas e instalou o bloqueador de telefonia celular para o caso de o sinal voltar a ser ativado.
Enquanto isso, Del Rio saiu da sala do forno e foi até o canto direito dos fundos do armazém propriamente dito, onde Scotty tinha visto a van. Só que ele não viu o veículo. O que viu foram apenas prateleiras e mais prateleiras de vasos de plantas.
Recusou-se a acreditar naquilo.
Durante a semana anterior, investigadores da Private haviam vigiado aquela porcaria de armazém em três turnos diários, sem pular um só dia. Será que a van tinha sido desmontada e levada embora em partes, ou posta inteira dentro de um caminhão maior?
Del Rio estava prestes a ligar para Jack quando Scotty passou por ele feito um gato com seus sapatos de sola de borracha e lhe mostrou as prateleiras atrás das quais a van estava escondida, praticamente protegida por uma barricada.
– O que acha, Rick? – perguntou Scotty.
Aliviado por Jack não precisar dizer a Noccia que a van tinha sumido, Del Rio respondeu:
– Está tudo bem.