Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 71 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 68

 

DEPOIS DE DEIXAR SCOTTY PERTO do armazém que ele devia vigiar, Justine obrigou-se a ligar para Tommy Morgan. Era uma sensação bem parecida com andar sobre cacos de vidro. À noite. Sob uma tempestade. Cega de um olho.

Ele ainda estava no escritório e atendeu a ligação.

– Tommy, tenho uma pergunta.

– Claro. O que você quer saber?

– Você estava na clínica Blue Skies quando Danny Whitman se internou lá?

– Ahhh – disse Tommy. – Justine, eu não posso falar agora. Que tal um jantar?

Ela teve que aceitar e acrescentou que a Private pagaria a conta.

Encontraram-se no Providence, um dos melhores restaurantes do país, um lugar moderno, elegante sem ser sexy. Era por isso que Justine o havia escolhido. Queria que Tommy se sentisse lisonjeado e bem-tratado, mas sem transmitir nenhuma mensagem equivocada. Ele já a havia paquerado antes.

Estavam em uma mesa de canto, com velas acesas e taças de vinho na mão. O Providence era conhecido pelos excelentes frutos do mar. Até os amantes de carne vermelha concordavam que um salmão selvagem com finas lascas de cogumelo podia ser bem mais saboroso do que um filé.

Tommy estava comendo uma alcatra e parecia estar gostando. Recostou-se na cadeira e olhou para Justine, sorrindo enquanto mastigava.

Ela bebeu um gole de vinho, mais uma vez impressionada com a semelhança entre Tommy e Jack. Os mesmos cabelos louro-escuros, os mesmos olhos cor de avelã, constituição física e postura idênticas – em todos os quesitos importantes, porém, Tommy era exatamente o oposto de Jack.

Enquanto Jack era altruísta, Tommy era covarde. Enquanto Jack era capaz de prestar atenção de verdade em alguém e escutar, Tommy encarava seu interlocutor nos olhos e tentava manipulá-lo, encontrar fraquezas que pudesse usar contra ele.

– Não sei se tenho muito a contar sobre Danny Whitman – respondeu Tommy. – Ele era um carinha bem esquisito. E nós não ficamos amigos. Por que você quer saber?

– Ele é nosso cliente.

– Jack sabe que estamos jantando juntos?

– Vai saber quando eu incluir o jantar na minha prestação de contas.

Tommy riu e Justine esperou que ele terminasse. Então tornou a perguntar:

– Por que Danny Whitman se internou na Blue Skies?

– Depressão, acho. Ele parecia deprimido, mas poderia estar lá por outros motivos. Fazia suas sessões de terapia e se mantinha discreto.

– Mas você conversou com ele?

– Nossa, Justine. Não abrimos o coração um para o outro. Você sabe como são as celebridades. Depois de algumas experiências com gente que vendeu algumas fofocas para os tabloides, elas costumam ser discretas. E agora é a minha vez. Como está Jack? Eu não soube mais nada desde que ele foi preso.

– Ele já saiu.

– Por que você acha que ele matou Colleen?

– Ah, Tommy, por favor. Você sabe que não foi ele.

– Não, Justine, por favor você. Eu acho que foi ele.

– Ele não tinha motivo algum para fazer isso.

– Talvez ele simplesmente tenha perdido as estribeiras. Você não sabe que Jack tem pavio curto? Posso dizer isso por experiência própria: ele tem um soco capaz de rachar sua mandíbula em três lugares diferentes.

Tommy tirou o paletó e arregaçou a manga direita com gestos exagerados. Mostrou a Justine uma antiga cicatriz com mais de 10 centímetros logo abaixo do cotovelo.

– Isso foi na vez em que ele quebrou meu braço para ver quem viajava no banco da frente do carro – falou.

Tommy era vil. Ela o odiava. Sabia guardar suas opiniões para si, mas ele acabara de lhe abrir uma brecha, então ela a aproveitou.

Sorriu e disse:

– Espero que tenha doído bastante.

– Cara, você ainda é apaixonada por ele.

Justine fez sinal para o garçom pedindo a conta.

– Posso ajudar com mais alguma coisa? – perguntou Tommy. Tinha um sorriso de ironia no rosto.

– Claro. Deixe os clientes de Jack em paz. E confesse à polícia que você matou Colleen, ou mandou matá-la.

– Não posso fazer isso, meu bem. Não posso confessar algo que não fiz só para deixar você feliz. Mas eu faria muitas outras coisas para deixá-la feliz. Que tal convidá-la para o que se costuma chamar de “encontro de verdade”?

– Nosso encontro foi este, Tommy. O primeiro, o último e o único.