Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 7
AMELIA POOLE ESTAVA CHEGANDO EM casa quando recebeu o telefonema de Jared Knowles, seu gerente noturno do Sun. Pediu-lhe que esperasse ela sair da garagem, fechou a porta e ficou em pé no quintal de casa olhando para o bairro de Laurel Canyon.
– Aconteceu de novo – disse Jared. Sua voz era um sussurro rouco e Amelia mal conseguiu entender o que ele estava dizendo.
– Como assim?
– Aconteceu de novo. Um hóspede na Suíte Bergman. O nome dele é Maurice Bingham. Ele está morto. Foi assassinado. Igual a… não lembro o nome, mas a senhora sabe a quem estou me referindo. No Constellation. Estou com medo porque sou um vínculo entre os dois, Sra. Poole. A polícia vai achar que fui eu.
– E foi?
– Caramba, Sra. Poole, não. Acredite em mim. Eu jamais faria uma coisa dessas.
– Como é que você sabe que o Sr. Bingham está morto?
– O rosto dele está azul. A língua está para fora. Ele ainda está com um arame em volta do pescoço. Não está respirando. Será que eu esqueci alguma coisa? É que não aprendi nada na escola de hotelaria em relação a esse tipo de situação.
Sua voz agora era um guincho agudo.
E Amelia Poole ficou adequadamente assustada.
Contando com aquele, agora eram cinco assassinatos – três deles em algum de seus hotéis. A polícia não descobrira nada. Fazia semanas que ela não tinha notícia nenhuma. E aquele crime específico lhe parecia algo pessoal. Talvez uma espécie de aviso. Qualquer um de seus outros hóspedes poderia ser morto. Era doentio.
– Jared. Escute o que vou dizer – falou ela. – Vou tentar manter você fora dessa. Acenda a luz de “Não perturbe”. Consegue fazer isso? Use o cotovelo, não os dedos.
– A camareira me ligou para dizer que o Sr. Bingham tinha pedido um cobertor e travesseiros extras. E que ele não abriu a porta.
– Você levou a roupa de cama até o quarto?
– Não.
– Tocou em alguma coisa?
– Não. – Jared agora estava aos prantos. Aquilo era demais.
– Jared. Acenda a luz e volte para a recepção.
– Mas isso não é contra a lei?
– Eu assumo a responsabilidade, Jared. Volte para a recepção e pronto. Não chame a polícia. Está bem?
– Sim.
– Se não conseguir trabalhar, diga que está se sentindo mal e peça para tirar folga hoje à noite. Peça a Waleed que assuma.
– Certo, Sra. Poole.
– Ligo para você amanhã.
Amelia Poole desligou o celular e pensou outra vez em uma agência de investigação particular da qual tinha ouvido falar. O dono era Jack Morgan, ex-agente da CIA e ex-fuzileiro naval. Sua agência prometia “força e discrição máximas”. Chamava-se Private.
Estava tarde, mas mesmo assim ela ligaria. Deixaria recado para Jack Morgan lhe telefonar o quanto antes.