Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 73 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 70

 

CRUZ ESTACIONOU O MERCEDES DA agência debaixo de um poste na North Western Avenue, em um mal-afamado quarteirão no centro de Hollywood. Cortinas metálicas de segurança cobriam as vitrines dos comerciantes: mercadinho Quality Market, salão de beleza Lupita’s, Silenciosos de Qualidade. A Iglesia Cristiana Fuente de Salvación, abrigada no que parecia uma antiga loja de eletrônicos, também estava fechada.

Do outro lado da rua, um letreiro amarelo de neon com um copo virado de lado e o nome Havana marcava um prédio de blocos de concreto sem qualquer outra característica especial. Cruz soltou o rabo de cavalo, penteou os cabelos com os dedos e tornou a prendê-los. Saiu do carro, ligou o alarme e ajeitou o casaco.

O leão de chácara na porta da boate tinha 30 e poucos anos, cabeça raspada, usava pequenos óculos de aro de metal e era musculoso.

– Buenas noches – disse Cruz.

– O senhor tem reserva? – perguntou o segurança.

– Meu nome é Emilio Cruz, vim encontrar a Sra. Karen Ricci. Ela disse que deixaria meu nome na porta.

O segurança examinou Cruz de cima a baixo por trinta demorados segundos.

– O senhor está armado?

– Eu tenho porte.

– Não importa. Armas são proibidas na boate.

Cruz suspirou, tirou a pistola do coldre preso ao ombro, removeu o pente e entregou-a ao segurança. O grandalhão guardou a pistola numa caixa no alto de um pedestal, entregou um tíquete numerado a Cruz e abriu a porta.

Cruz entrou em um vestíbulo. Subiu um estreito lance de escada pensando na pistola. A escada ia dar em um pequeno cômodo com um único móvel que parecia um guarda-roupa talhado à mão.

Ao lado do armário estava uma recepcionista. Tinha quase 30 anos e era latina: grandes olhos castanhos, ótima forma física, usando um vestido justo de cetim rosa. Com certeza fazia o seu tipo. No entanto, a moça mal olhou para ele. A maioria pelo menos olhava.

A recepcionista abriu a porta do guarda-roupa e disse:

– Entre por aqui, depois desça a escada.

– Tenho que passar pelo armário? – perguntou Cruz.

A mulher assentiu.

– Si.

Camisas cubanas penduradas formavam uma cortina.

Cruz empurrou as guayaberas de lado e viu que o armário era uma porta muito bem escondida que conduzia direto ao patamar superior de uma escada em caracol. Música latina e vozes animadas subiam do bar mais abaixo.

Enquanto descia, Cruz examinou o salão escuro, ricamente colorido de vermelho e dourado, e teve a sensação de voltar no tempo até um bar de rum cubano por volta dos anos 1920.

Candelabros com lâmpadas em forma de vela iluminavam o espaço com uma luz suave que deixava todo mundo mais bonito. Pequenas mesas em volta do recinto estavam ocupadas, mas a maioria dos clientes se encontrava aglomerada em frente ao balcão com tampo de mármore branco. Ao fundo, a parede estava cheia de garrafas de rum, de umas setenta marcas diferentes.

Quando Cruz chegou ao último degrau, viu que atrás do balcão havia um corredor que conduzia a um bar de charutos projetado para se parecer com um beco de Havana.

Nesse momento, ouviu aplausos ruidosos.

Uma dançarina apareceu em um palquinho com um canhão de luz apontado diretamente para ela, fazendo cintilar paetês dourados. Jogou os cabelos e começou a rebolar de forma sensual ao som de uma batida caribenha.

Cruz se manteve afastado e vasculhou a multidão até ver uma mulher bebendo sozinha em uma mesa perto da saída de emergência. Abriu caminho entre os clientes e, chegando lá, falou:

– Karen Ricci? Emilio Cruz.

– Sente-se – respondeu ela.

Cruz puxou uma cadeira e sentou-se. Karen Ricci tinha cabelos escuros e uma beleza natural, sem maquiagem. Cruz levou alguns instantes para perceber que ela estava em uma cadeira de rodas.

– Trouxe minha encomenda? – perguntou ela.

Cruz abriu o casaco e mostrou o envelope que despontava do bolso interno.

Fechou o casaco e ofereceu:

– Posso lhe pagar outra bebida?