Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 37 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

capítulo 34

 

COM UMA DAS MÃOS EU mantinha uma bolsa de gelo encostada no maxilar e com a outra segurava uma Guinness. Donahue estava sentado na minha frente, diante de uma pequena mesa em seu restaurante escuro, com uma vela entre nós. Depois de vinte minutos gritando um com o outro, eu tinha conseguido convencê-lo da minha inocência.

– Jack, eu já disse que sinto muito? – perguntou ele, com seu sotaque irlandês.

– Já. Já disse, sim.

Donahue suspirou.

– Não tem problema, Mike. Eu entendo. Não faz mal.

Um garçom trouxe meu jantar e o pôs na minha frente: um prato de costeletas com batatas fritas. Recusei uma segunda cerveja e olhei para o prato com duas sensações distintas.

A primeira era que fazia tempo que eu não comia.

A segunda era que eu queria vomitar.

O jantar era a oferta de paz de Donahue, por isso larguei o gelo em cima da mesa e peguei os talheres.

– Ela estava triste – disse Donahue. – Nós conversamos sobre o tal namorado de Dublin e acho que ela o amava, de certa forma, mas ele não fazia o coração dela disparar. Entende o que quero dizer?

– Ela não estava apaixonada.

Donahue assentiu.

– Quer que eu corte a carne para você, rapaz?

Dei um sorriso dolorido, espetei algumas batatas com o garfo e falei:

– Ela não me disse isso. Disse que estava feliz.

– Deve ter sido para bancar a durona – retrucou Donahue. – Ou talvez para ver se você tinha mudado de ideia. Se ainda a amava. Mas, enfim, eu já não tinha medo de que ela fosse se ferir. Nunca pensei que alguém fosse capaz de fazer aquela coisa horrível com ela.

– Mike, todo mundo amava Colleen.

– Então por quê? – perguntou-me Donahue. Ele deu um soco na mesa. A louça pulou. A cerveja derramou do copo. – Por que tenho que mandá-la de volta para Dublin dentro de um caixão?

– Essa história não teve nada a ver com Colleen – falei. – Alguém a matou para me ferir. Alguém que me odeia.

– Mas quem, Jack?

– Eu não sei. Ainda. Estou tentando descobrir. Seja quem for, era um profissional. Poderia ter dado um jeito de me matar sem pôr Colleen no meio, mas não era o que ele queria.

Fiz uma pausa e continuei:

– Em vez disso, me incriminou para que eu fosse derrubado muito, muito devagar. Primeiro isso… a perda. Depois a humilhação. E depois eu passaria o resto da vida na cadeia. Ou seria condenado à morte. É esse o plano.

– Ele que vá para o inferno. E tomara que o diabo jogue a chave fora.

– Tomara.

Ficamos sentados em silêncio enquanto a mesa era tirada.

Quando ficamos novamente a sós, encarei os olhos tristes de Mike.

– Sinto muito. Sou eu que lhe devo desculpas. Se Colleen não estivesse envolvida comigo, ainda estaria viva.