Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 104
EU AINDA ESTAVA DIANTE DA minha mesa de trabalho quando meu celular vibrou. Era Del Rio.
– E aí? – perguntei.
– Missão cumprida – respondeu ele. – Ou seja, seus problemas estão apenas começando.
– Onde está a van agora?
– Estamos nela. Na rua.
– Instalaram o rastreador?
– Debaixo do banco. Bem escondido.
– Ótimo – falei.
Pedi a Rick que ficasse na linha e liguei para Noccia do telefone fixo. Em um ouvido escutava o telefone chamando, no outro, os barulhos de tráfego e Del Rio e Cruz conversando.
Noccia atendeu.
– Estamos com a sua encomenda – declarei para o chefão da Máfia. – Intacta.
Combinamos um lugar logo ao norte da loja Fry’s Electronics Paradise, em Burbank.
– Del Rio tem uns nomes para você, Carmine – falei. – Os caras que roubaram a sua van.
– É mais do que eu esperava – disse-me Noccia. Então desligou.
Eu queria Del Rio e sua equipe fora daquela van. Quanto antes, melhor. Fiquei na linha com Rick durante meia hora de pura adrenalina e gritos enquanto Noccia tirava dois de seus capangas da cama e esperávamos os seus caras e os meus se encontrarem no acostamento de uma rodovia.
– Está na hora do meu compromisso – disse-me Rick e alguns minutos depois voltou ao telefone. – Já foram. Pegaram a 5 na direção norte.
Mandei Rick ligar para Aldo e pedir que fosse buscá-los. Eu acabara de desligar o celular com ele quando o aparelho tornou a tocar. Código de área 702. Las Vegas.
– Carmine. Está tudo em ordem?
– Na mais perfeita ordem. Vou dormir feito um bebê hoje à noite. Já depositei os honorários na sua conta. Seis milhões redondos.
– Obrigado.
– De nada. Você trabalhou bem – disse Noccia e desligou.
Senti a garganta seca. Minhas mãos tremiam. Engoli um Red Bull com um único grande gole e fiz uma ligação. O chefe da polícia Mickey Fescoe atendeu no terceiro toque.
Eu lhe disse que uma van contendo uma fortuna em remédios tarja preta ilícitos pertencente a Carmine Noccia seguia para o norte pela I-5. Visualizei Fescoe, meu amigo ocasional, despertando de seu sono, pulando da cama e implorando para eu lhe contar os detalhes.
– Como é?
Repeti o que acabara de dizer e então lhe dei os detalhes. Enquanto eu expunha a situação, Fescoe pontuava cada cinco palavras com “Puta merda” e “Está de brincadeira comigo”. Expliquei direitinho a relação entre os três integrantes da gangue de Noccia encontrados baleados em uma rodovia de Utah com a van da Ford contendo uma carga de OxyContin no valor de revenda de 30 milhões de dólares.
– A van está equipada com um transmissor de GPS – falei. – O receptor está no estacionamento da loja de eletrônicos Fry’s. Isso. Dentro de uma lata de lixo debaixo da marquise do disco voador, se quiser mandar um carro ir lá buscar.
– Vou mandar alguém imediatamente. Talvez eu mesmo vá.
– Se eu fosse chefe da polícia, chamaria a Entorpecentes. E, Mickey, pare os caras por causa de uma infração de trânsito. Me deixe fora dessa.
– Foi exatamente o que pensei – disse Fescoe. – Mas, Jack, como você conseguiu todas essas informações?
– Não posso dizer.
– Certo. É confidencial. Desculpe por ter perguntado. Eu não preciso saber – falou Fescoe.
– Mick, não que eu esteja cobrando nada, mas não esqueça que eu o ajudei nessa – falei.
Em outras palavras: Você me deve uma das grandes.
– Vou ajudá-lo se puder – disse Fescoe.
Em outras palavras: Vou ajudá-lo se puder, mas não conte comigo se tiver matado Colleen Molloy.