Private: O Suspeito Nº 1

James Patterson e Maxine Paetro · Capítulo 1 de 135

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Private: O Suspeito Nº 1

Prólogo – Tiros no escuro

PRÓLOGO

 

TIROS NO ESCURO

1

 

UM SEDÃ ESCURO SAIU DA Pacific Coast Highway e entrou no acesso para carros de uma casa de praia em Malibu que devia valer, fácil, uns 7 ou 8 milhões.

O motorista baixou o vidro e passou uma chave eletrônica pela leitora.

O alto portão duplo de ferro forjado se abriu e o sedã avançou até a garagem. O portão se fechou atrás dele sem ruído. O motorista saltou do carro e olhou em volta.

Era um homem branco de 30 e poucos anos, estatura mediana e cabelos castanhos curtos. Usava uma jaqueta jeans, calça cáqui, sapatos de sola de borracha e luvas de látex. Viu que a casa moderna e elegante ficava inteiramente protegida por arbustos e cercas que a escondiam da estrada e das casas vizinhas.

Foi até o nicho onde ficava a porta da frente e reparou na câmera de segurança virada em sua direção e no teclado biométrico.

Voltou para o carro, abriu uma das portas de trás e disse:

– Parada final, mocinha.

Inclinando-se para o banco traseiro, puxou uma moça magra de cabelos escuros e compridos. Ela estava desacordada, inconsciente. Cheirava a rosas e sabonete. Com um grunhido, o homem jogou o corpo inerte sobre o ombro.

Ao chegar à porta, pressionou o dedo da mulher na leitora e a fechadura se abriu. Eles entraram.

O homem não acendeu a luz. O sol entrava pelas paredes de vidro, refletia nas lajotas do chão e tornava tudo claro o suficiente para possibilitar uma boa visão.

O hall conduzia a uma grande área de estar encimada por uma claraboia, com paredes arredondadas e janelas curvas com vista para o mar. À esquerda, um corredor levava à suíte principal. O homem abriu a porta do quarto com o pé e, ao chegar junto à cama, tirou a mulher do ombro e a acomodou sobre a colcha riscada de azul e branco.

Arrumou um travesseiro sob a cabeça dela e então foi até o banco que ficava debaixo da janela. Sob a tampa com dobradiça havia uma caixa de metal e, dentro da caixa, uma pistola Kimber calibre 45 customizada. O homem de jaqueta jeans removeu o pente da pistola, verificou-o e tornou a inseri-lo com a mão enluvava. A arma estava carregada.

Nesse momento voltou para junto da cama e, mirando com cuidado, acertou a mulher no peito, à queima-roupa. O corpo se moveu num espasmo. Quando ele desferiu o segundo e o terceiro tiros, contudo, ela não se mexeu.

O homem recolheu as três cápsulas das balas usadas e as guardou no bolso. Pegou o telefone ao lado da cama. Digitou um número enquanto fitava o mar pela janela. Desligou sem dizer nada.

Então saiu do quarto e encontrou o equipamento de segurança na sala de estar. Abriu as portas de todos os armários e vasculhou os compartimentos até localizar, no fundo de um deles, o disco rígido que armazenava os dados.

Desconectou o disco, colocou-o debaixo do braço e saiu da casa pela porta da frente. Do lado de fora, afastou um pouco as lascas de madeira que protegiam o solo ao pé de uma buganvília densa que trepava pela cerca. Enterrou a pistola no buraco raso e a cobriu com as lascas.

Voltou para o carro, deu a partida e tornou a passar a chave eletrônica na leitora do portão pelo lado de dentro. Depois de sair, deu ré devagar até o acostamento. Logo entrou na autoestrada e seguiu na direção norte.

Já estava pensando no Bophy Bros, um restaurante de frutos do mar em Santa Barbara. Adorava aquele lugar. O bar de crustáceos tinha mariscos, caranguejos e ostras na concha. Ele pediria uma garrafa de algo que fizesse jus àquele seu dia de trabalho de primeira categoria.

O atirador pôs um CD do Van Halen para tocar e sorriu enquanto o sedã escuro se misturava ao fluxo do tráfego.