Private: O Suspeito Nº 1
capítulo 23
DEL RIO DESCEU DO BANCO do carona do Mercedes de serviço. Caminhou entre os pilares de concreto do portão, de quase 2 metros e cobertos de flores, e subiu a escada de tijolos em forma de meia-lua até as portas envidraçadas do Beverly Hills Sun.
O porteiro abriu a porta, Del Rio foi até o balcão e disse à moça de terno preto e cabelos curtos:
– Deixaram um pacote para mim. Rick Del Rio.
A moça, com o nome Amy Wang em um crachá preso na roupa, pediu:
– Posso ver sua identidade?
Del Rio pensou que, se Cruz tivesse ido ao balcão no seu lugar e dito a mesma coisa, a moça teria feito um biquinho e dado alguma indireta para descobrir o telefone dele. Se ele fosse bonito como Cruz, ou como Jack, aliás, o mundo inteiro estaria aos seus pés.
Mostrou sua carteira de motorista. Ela se abaixou sob a bancada de mármore preto e voltou trazendo um envelope pardo lacrado com seu nome escrito.
– Obrigado, Amyzinha – disse ele, recolhendo o envelope de cima do balcão.
Instantes depois, estava de novo no carro em que Cruz o esperava.
Enquanto seguiam para oeste pelo Wilshire Boulevard, Del Rio inseriu o CD na bandeja do computador de bordo e deu início ao vídeo de segurança que registrava 24 horas por dia a movimentação do quinto andar do Sun.
Data e hora estavam registradas no vídeo, de modo que Del Rio pôde retornar até as cinco horas da tarde de domingo, pressionar a tecla de avanço rápido, assistindo às pessoas como se fossem bonecos de madeira entrando e saindo de elevadores e subindo e descendo o corredor, ou então pegando a saída que conduzia à piscina do último andar.
– Putz – comentou ele enquanto Cruz entrava à direita no Westwood Boulevard. – É isso que eles chamam de segurança?
– Você viu? – indagou Cruz.
– Vi o quê?
– Acho que era a Sandra Bullock naquele carro que passou disparado por mim como se eu estivesse parado no sinal.
– A saída para o último andar. Supostamente deveria ser apenas para saída, mas com alguém segurando a porta dá para entrar também. Todo mundo faz isso.
– Um Jaguar vermelho – falou Cruz. – Tenho quase certeza de que era ela.
– O 502 fica meio longe da câmera – continuou Del Rio –, mas acho que a nossa vítima é esse cara aqui. Saiu do elevador e caminhou na direção oposta. Calça escura. Camisa branca, paletó esportivo. É, é ele mesmo. Estava vivo às 17h38 de ontem.
– Me avise quando a garota de programa aparecer – pediu Cruz.
– Lá vem ela – disse Del Rio.
Ele trocou o avanço rápido pela velocidade normal e ficou olhando a mulher sair do elevador. Ela usava um vestido azul curto e um sutiã push-up que fazia seus peitos pularem para fora do decote. Uma clutch na mão. Sapatos de salto agulha. Cabelos castanhos compridos.
– Nota nove – disse Del Rio, acompanhando a imagem da mulher que avançava até o 502 e batia na porta.
Maurice Bingham atendeu. A mulher sorriu, disse alguma coisa e entrou. Horário: 18h13.
– Não deu para ver muito bem a cara dela – comentou Del Rio. – Mas a cronologia faz sentido. A que horas ele ligou para a Phi Beta?
– Quinze para as seis.
– Certo. E a garota chega às 18h13. Vamos ver por quanto tempo ele pagou.
Del Rio aumentou a velocidade do vídeo e ficou vendo as pessoas andarem como Charlie Chaplin de um lado para outro do corredor, passarem pela porta que conduzia ao último andar, descerem do último andar, e então, às 20h15, a moça de vestido azul saiu do quarto 502 e tomou o rumo do elevador.
Del Rio congelou o vídeo na melhor imagem de seu rosto, mas não era muito boa. No entanto, já era alguma coisa.
– É isso – falou. Enviou a imagem capturada para Jack por e-mail, com cópia para si mesmo. – Bingham teve suas duas últimas horas de prazer antes de a bonequinha o matar – comentou com o colega. – Rolam os créditos. Tela preta.