Virologia
Rotavírus
Estrutura e replicação
Um rotavírus (RV) tem um nucleocapsídeo icosaédrico trilaminar não
envelopado de 100 nm. O nome vem do latim Rota que significa roda. Na microfotografia eletrônica, o vírus parece ter raios semelhantes aos de rodas
de bicicleta (Fig. 1).
FIG. 1 Espécime de fezes com rotavírus. (A fotografia é uma cortesia do Prof. M. Taylor, University of Pretoria.)
A camada interna ou core consiste de VP1 - VP3 e contém 11 segmentos
de RNA de dupla fita. Uma segunda camada é formada pelo VP6 (antígeno grupo-específico) e uma terceira camada é formada pelo VP7 (G ou glicoproteína) e VP4 (P ou proteína sensível à protease). O genoma segmentado codifica proteínas estruturais (VP) e também cinco proteínas não estruturais (NSP) NSP1 - NSP5.
Os vírus se ligam a receptores de ácido siálico nas células do hospedeiro
no epitélio intestinal através da VP4 na camada externa; a clivagem da VP4 por proteases, como a tripsina, em VP5 e VP8, aumenta a infectividade. A ligação a receptores de integrinas é seguida de endocitose mediada por receptor. No citoplasma, a camada VP7 se desintegra. A transcrição e a replicação ocorre dentro da partícula de duplo capsídeo (DLP, double-layered particle), sendo mediada pela VP1 (polimerase-dependente) e VP3. São produzidos cap-mRNAs que são traduzidos para proteínas. Os mRNAs também atuam como moldes para a sínteses de fitas negativas que são transcritas em RNA de fita dupla. Esse RNA só é sintetizado no interior da partícula recém-formada, impedindo que o RNA de fita dupla desencadeie uma resposta forte de interferon. A DLP adquire VP4 e VP7 que constitui a camada externa brotando através do retículo endoplasmático, mas perde o envelope antes da maturação final. As partículas virais maduras são liberadas por meio da lise celular.